Tira de filme revestida com emulsão magnética para gravação de áudio — rodava paralela ao negativo ou aplicada diretamente no celuloide. Padrão pré-digital na edição de som.
O magnetofone foi a espinha dorsal da gravação e edição de som profissional no cinema por décadas. Uma fita plástica — geralmente de poliéster ou celuloide — possuía uma fina camada contendo óxido de ferro, que armazenava ondas sonoras como impulsos magnéticos. Ao contrário do som óptico, que era impresso diretamente ao lado da imagem, o magnetofone corria em sincronia com a película de imagem através da câmera ou da mesa de edição, sem que imagem e som precisassem estar fisicamente conectados.
No fluxo de trabalho prático, isso trazia vantagens significativas. Era possível gravar várias trilhas simultaneamente — o magnetofone existia em versões de 1/4 de polegada, 1/2 polegada ou multicanal — e trabalhar de forma totalmente independente na pós-produção. Enquanto o editor de imagem trabalhava no material visual, o técnico de som podia organizar suas trilhas em máquinas separadas, ressincronizar ou editar com efeitos. O sistema de edição com magnetofone foi a solução padrão até os anos 1990: o editor de som trabalhava com fitas físicas, as colava em rolos, utilizava sobras de magnetofone para experimentar transições. A aderência era confiável, a qualidade estável — desde que a camada magnética não se desgastasse ou fosse danificada pela umidade.
O maior problema: desgaste e armazenamento. O magnetofone perdia aderência ao longo dos anos, a camada podia se soltar, e a umidade levava à oxidação. Muitos arquivos perderam som valioso porque os rolos não foram armazenados corretamente. O manuseio também era trabalhoso — cada corte, cada reorganização exigia emenda manual com fita adesiva para magnetofone.
Com a revolução digital — softwares DAW (Digital Audio Workstations) como o Pro Tools — o magnetofone se tornou obsoleto. Agora era possível trabalhar de forma não destrutiva em software, armazenar takes ilimitados, configurar automação. Formatos digitais assumiram o controle. Ainda assim: quem hoje digitaliza arquivos analógicos ou trabalha com filmes clássicos se depara com rolos de magnetofone. A digitalização é complexa e cara — e alguns técnicos de som ainda juram pelo som de magnetofones bem conservados, um timbre "mais quente" em comparação com os primeiros codecs digitais.