Extensão de cenário pintada ou gerada digitalmente — elimina construção de sets e filmagens externas. Combinada em estúdio com chroma key, de forma analógica ou digital.
Na produção clássica de estúdio, o matte painting era a ferramenta de eleição para expandir arquitetura, paisagens ou cenários urbanos — sem sair do lugar. O artista de matte painting sentava-se no ateliê e pintava em vidro ou, mais tarde, em celuloide, enquanto o ator estava em frente a uma silhueta ou a uma configuração de luz chave. A placa exposta era então combinada opticamente com o material de ação ao vivo — no cinema de efeitos especiais, através de contra-iluminadores e máscaras. Não era elegante, mas era funcional.
Hoje, o trabalho é feito digitalmente, mas não perde a sua essência. Um artista de matte painting senta-se no Nuke ou numa suite de composição semelhante e constrói o fundo: fachadas de edifícios, céus, cadeias de montanhas distantes, bairros destruídos. A fonte pode ser material fotográfico — texturas que vêm do set ou da biblioteca — ou pintura manual pura com plugins de pincel. O crucial é: a placa tem de harmonizar absolutamente com o movimento da câmara e a grelha de perspetiva do material de ação ao vivo. Pontos de fuga incorretos são imediatamente notados. Por isso, trabalha-se com geometria, com modelos de profundidade e rastreamento de posição, não mais com pintura 2D pura.
O fluxo de trabalho prático: tem uma gravação em ecrã verde do ator em frente a um fundo neutro. O keyer isola a figura. Paralelamente, o artista de VFX desenvolve o matte painting — pinta, texturiza, renderiza ou combina material fotográfico até que fique fotorrealista. A iluminação, a temperatura de cor, a direção das sombras têm de ser ajustadas à luz chave no set. Depois, ambas as camadas são colocadas na composição final: o ator à frente, a placa atrás. Um bom matte painting precisa de ajuste de desfoque e, possivelmente, correção de ruído para que a ilusão não se quebre.
Grandes produções utilizam matte paintings não como medida de poupança, mas como meio de design. Filma-se uma cena num cenário de estúdio que mostra apenas uma fração do ambiente planeado e expande-se-o de forma pictórica. Isto dá à direção controlo sobre detalhes que seriam caóticos num local real. Outra vantagem: as alterações acontecem rapidamente. O realizador quer nuvens diferentes? O artista altera-as de manhã. Num local real, isto seria impossível.