Tentativa de Edison em 1895 de sincronizar imagem e som — cilindro fonográfico acoplado ao Kinetógrafo. Nunca funcionou de forma confiável.
Edison queria resolver em 1895 o problema que afligia todo cineasta de sua época: era impossível captar imagem e som separadamente e reproduzi-los depois de forma sincronizada. Sua solução — o Cinetofone — era teoricamente inteligente, mas na prática um pesadelo. Ele acoplou mecanicamente seu Cinetógrafo (a câmera de cinema) a um Fonógrafo com cilindro de cera. Ambos deveriam funcionar simultaneamente, o cilindro gravando o som enquanto a película capturava as imagens. Na teoria, isso funcionava. Na prática, foi um desastre.
O problema central: dois sistemas mecânicos, duas velocidades diferentes, dois mecanismos de acionamento diferentes. O cilindro de cera desviava em relação à película — após alguns segundos, a sincronização se perdia. Além disso, a reprodução do cilindro era extremamente baixa, o som mal podia ser ouvido no cinema. Edison tentou sistemas de amplificação, cilindros rodando em sincronia no cinema — tudo remendos. Os estúdios e donos de cinema estavam céticos, não investiram. O Cinetofone desapareceu rapidamente de cena, um experimento caro que mostrou: a sincronização mecânica é um beco sem saída.
Para nós, diretores de fotografia e montadores das décadas seguintes, essa foi uma lição importante — aprendemos com isso que o som e a imagem precisavam ser captados fundamentalmente separados, com o claquete e, posteriormente, o timecode como âncoras de sincronização. O som ótico no filme só veio depois e foi o verdadeiro avanço, não a abordagem híbrida de Edison. O Cinetofone é hoje, acima de tudo, uma nota de rodapé histórica — um exemplo de advertência de que nem toda acoplagem técnica é uma boa solução.