Tragédias históricas em cinemas causadas por incêndios — principalmente no início dos anos 1900, agravadas pelo altamente inflamável filme de nitrato. Impulsionou normas de segurança e a adoção do filme de acetato de celulose.
Os incêndios em cinemas do início do século XX não foram apenas uma nota de rodapé histórica — eles forçaram toda a indústria cinematográfica a se modernizar. O motivo: o nitrato de celulose era praticamente isca de fogo. Qualquer pessoa que já tenha manuseado rolos de filme antigos conhece essa fragilidade, essa instabilidade química. Sob calor — e a luz de projeção gerava temperaturas enormes nas cabines de projeção apertadas — o material se inflamava espontaneamente. A consequência foram incêndios catastróficos em cinemas lotados, nos quais centenas de espectadores morreram porque as saídas de emergência estavam bloqueadas ou o pânico eclodiu.
Para a produção e operação técnica, isso teve consequências massivas. Os estúdios tiveram que reorganizar completamente seus estoques — o nitrato de celulose exigia salas de armazenamento especiais e úmidas. Na operação de exibição, as normas de segurança tornaram-se obrigatórias: cabines de projetor revestidas de amianto, sistemas automáticos de extinção de incêndio, regras de distância entre o núcleo do rolo e as lentes. Essas regras ainda estão na mente dos técnicos de 16mm e 35mm hoje, mesmo que eles já trabalhem com acetato de celulose ou formatos digitais há muito tempo. A transição para filmes não inflamáveis nos anos 1950 foi economicamente dolorosa, mas inevitável — as seguradoras simplesmente não pagavam mais por exibições em nitrato.
O efeito prático: arquivistas e restauradores tratam hoje os antigos estoques de nitrato como explosivos. A digitalização não é vista como uma atualização opcional, mas como uma missão de resgate. Cada rolo antigo que ainda está armazenado em nitrato representa um risco — não apenas para a instituição, mas para tudo ao redor. Por isso, os museus de cinema não veem os incêndios em cinemas como um capítulo histórico encerrado, mas como um lembrete constante. Quem trabalha com material original deve saber: esses padrões surgiram de mortos. Poucos que aprenderam isso esquecem.