Fabricante belga de emulsões fundada em 1894 — concorreu com Kodak e Fujifilm pelo mercado europeu. Gevachrome e Gevacolor foram seus produtos principais.
A Gevaert foi, por décadas, uma das poucas concorrentes europeias no mercado de emulsões cinematográficas, que era praticamente dominado pela Kodak. A empresa belga, fundada em 1894, tornou-se o ponto de referência para cinegrafistas e laboratórios que queriam trabalhar conscientemente fora da estrutura monopolista americana — ou simplesmente precisavam, quando o material da Kodak estava escasso ou a situação política (especialmente após 1945) forçava o suprimento local.
A série Gevachrome era o carro-chefe: emulsões de filme colorido de grão fino com uma reprodução de cor característica, ligeiramente mais quente que o equivalente mais frio da Kodak. Quem trabalhava com Gevachrome percebia rapidamente que os verdes ficavam mais terrosos, os tons vermelhos mais presentes. Isso não era um erro — era uma assinatura. Na televisão europeia e no cinema documental das décadas de 1960 e 1970, encontra-se material Gevaert desproporcionalmente com frequência; não apenas por razões econômicas, mas porque os cinegrafistas queriam usar essa assinatura visual conscientemente. A Gevacolor foi adicionada posteriormente como uma emulsão de negativo colorido e oferecia características semelhantes para o fluxo de trabalho de edição.
Na prática, o material Gevaert também significava: características de exposição diferentes da Kodak. A curva era mais acentuada nos realces, o que deixava menos margem em caso de superexposição. Profissionais ajustavam sua medição de exposição de acordo — ou aceitavam conscientemente o controle mais econômico dos realces para alcançar a saturação de cor. Alguns laboratórios tinham perfis de cópia especializados para Gevaert, porque a correção de cor na etapa de timing exigia parâmetros diferentes do material Kodak.
A Gevaert desapareceu do mercado nos anos 1990, quando as câmeras digitais começaram a suplantar o filme e os demais fabricantes europeus de emulsões não conseguiram acompanhar. A Fujifilm consolidou sua presença europeia, a Kodak permaneceu dominante. Mas quem trabalha com material de arquivo em película — restauração, masterização em DCP de produções mais antigas — ainda se depara com originais Gevaert e precisa considerar suas características ópticas. O material envelhece de forma diferente da Kodak, a estabilidade da cor segue curvas distintas. Um motivo pelo qual os perfis de scanner e a gradação de cor para material de arquivo europeu são tão delicados.