Formato widescreen francês (1953), resposta da Gaumont ao CinemaScope — opticamente comparável, mas tecnicamente proprietário. Vida curta; licenças do CinemaScope dominaram o mercado.
Em meados da década de 1950, dois sistemas de tela larga competiam nas telas francesas: enquanto Hollywood dominava com o CinemaScope, o grupo Gaumont tentava se firmar com seu próprio processo anamórfico. A especificidade do GaumontScope não residia em uma ótica revolucionária, mas na independência técnica — a intenção era se livrar das taxas de licenciamento americanas exigidas pelo CinemaScope.
O formato trabalhava com um princípio de compressão semelhante ao CinemaScope: compressão horizontal durante a filmagem, descompressão no projetor. A qualidade visual da imagem era minimamente diferente para os espectadores — ambos os sistemas exibiam a mesma proporção de tela de 2,35:1. Onde o GaumontScope queria se destacar era no licenciamento mais barato e na independência do monopólio da Fox. Tecnicamente, o sistema não era mais avançado, mas sim implementado de forma mais pragmática: adaptaram componentes ópticos existentes em vez de criar um ecossistema totalmente novo.
No set, os cinegrafistas notavam pouca diferença. A exposição exigia compensações semelhantes às do CinemaScope — a ótica anamórfica absorvia luz, a profundidade de campo tornava-se criticamente rasa e as características das distâncias focais mostravam as distorções horizontais típicas e as particularidades do bokeh do formato. Na edição, não havia barreiras adicionais. O problema real não era técnico, mas econômico: a maioria dos cinemas europeus já tinha projetores CinemaScope instalados. O GaumontScope permaneceu uma solução isolada para estúdios franceses que queriam economizar em licenças.
A carreira foi curta. Cerca de duas dúzias de produções foram feitas entre 1953 e 1957, antes que a Gaumont desistisse da resistência e mudasse para o sistema estabelecido — o pragmatismo econômico venceu a independência técnica. Hoje, o GaumontScope é um relicário das lutas de padronização dos anos 1950, semelhante ao VistaVision ou Techniscope: prova de que a equivalência técnica por si só não é suficiente quando a infraestrutura já está definida.