Qualquer elemento visual criado ou manipulado digitalmente — modelos 3D, partículas, texturas, animação. Do render farm até a plate final.
No set ou na edição, você se depara com computação gráfica em todos os lugares onde pixels, e não física, fazem o trabalho. Você pensa imediatamente em monstros ou naves espaciais — mas isso é apenas a ponta do iceberg. Praticamente toda imagem digital que não é filmagem live-action é criada por uma cadeia de processos de renderização: modelos 3D são construídos, recebem texturas e propriedades de material, são fotografados (virtualmente) sob iluminação e exportados. Efeitos de partículas como fumaça, faíscas ou sangue? Computação gráfica. O brilho reflexivo em uma superfície futurista? Também. Até mesmo a sujeira sutil em uma lente em uma cena de ficção científica é criada digitalmente.
O trabalho começa muito antes da renderização final. Na fase de Previs (Previz), equipes de VFX usam modelos 3D low-poly para testar movimentos de câmera, timing e lógica espacial — rápido, rudimentar, funcional. Só então segue a criação detalhada de assets: modelagem, rigging para animação, shading para superfícies de material realistas. A iluminação é crucial aqui — ela precisa corresponder à iluminação live-action, caso contrário, seu personagem CG parecerá falso imediatamente. A renderização em si é poder de processamento; dependendo da complexidade, um único frame pode levar horas ou dias. Por isso existem passes de renderização — Diffuse, Specular, Ambient Occlusion, Depth — que o compositor pode misturar separadamente depois, para manter a flexibilidade e não precisar "assar" tudo em uma renderização final monolítica.
Na composição, a CG se funde com o plate live-action. Color grading, casamento de foco, motion blur, granulação, distorção de lente — tudo precisa estar sincronizado. Um erro comum: renderizar de forma muito perfeita. O cinema real tem falhas, irregularidades, pecados ópticos. Boa computação gráfica *não* parece computação gráfica, porque imita as imperfeições do processo óptico.
A pipeline está intimamente ligada à captura de movimento, keying de tela verde e tracking. Sem tracks de câmera estáveis ou rotoscopia limpa, não há personagens CG convincentes. Por outro lado, efeitos digitais podem salvar um plate live-action defeituoso — ou reforçá-lo discretamente. A computação gráfica hoje não é mais apenas espetáculo; é uma ferramenta cotidiana para correção, expansão e negociação sutil da realidade.