Câmeras esquerda e direita — ou elementos de lente dupla — com espaçamento inter-axial preciso. Convergência e distância interocular exigem ajuste milimétrico.
Duas câmeras ou elementos de lente a uma distância exata uma da outra — essa é a premissa básica para o trabalho estereoscópico. A distância entre os centros ópticos é chamada de Distância Interocular (IOD), e ela deve estar correta até o milímetro. Muito próximas e o efeito espacial colapsa; muito distantes e o espectador terá dor de cabeça no cinema. Em longas-metragens, geralmente nos orientamos pela distância entre os olhos humanos — cerca de 65 milímetros — mas podemos variar dependendo do motivo e do efeito de profundidade. Para tomadas em grande escala ou espaços de profundidade extremos, deliberadamente vamos além da distância natural entre os olhos para intensificar o efeito estereoscópico.
No set, isso significa concretamente: ou se trabalha com duas câmeras sincronizadas, montadas em um rig especial, ou se utiliza um divisor de feixe (beam-splitter) que equipa uma única câmera com duas lentes. Ambos os sistemas exigem Convergência — o ajuste dos eixos ópticos um em direção ao outro. Se as câmeras operam paralelas lado a lado, surgem problemas na fusão na edição. Precisamos angular os eixos de forma que os planos das imagens se encontrem no motivo — exatamente onde a profundidade espacial máxima deve ser criada. Isso não é trivial: um milímetro de erro em dez metros de distância do motivo já pode levar a imagens duplas ou a uma visualização cansativa.
A Baseline — a distância física entre as lentes — também determina a intensidade da paralaxe. Uma baseline maior gera efeitos de profundidade mais fortes, mas também traz maiores problemas de convergência. Em close-ups ou tomadas de perto, frequentemente reduzimos a IOD significativamente, caso contrário, a profundidade fica exagerada e inverossímil. Com lentes grande-angulares extremas, podemos até retornar ao arranjo paralelo — o efeito de profundidade é criado pela perspectiva de qualquer forma.
No fluxo de trabalho prático, a correção de Eye-Mismatch no DI é essencial: pequenos erros de convergência ou diferenças de altura entre as câmeras podem ser corrigidos digitalmente posteriormente, mas custam tempo e nitidez. O melhor é o ajuste preciso no set. Rigs estereoscópicos modernos dispõem de ajuste de convergência motorizado — isso poupa frustração e permite um trabalho fluido sem ajustes constantes. Quem filma em 3D também deve recalcular a Configuração Interaxial dependendo da distância focal da lente, para manter efeitos espaciais consistentes em todo o filme.