Duas perspectivas sobrepostas — uma para cada olho — criam profundidade espacial. Base de toda produção 3D, seja cinema S3D ou VR.
No set, você precisa de duas câmeras ou um rig especial que capture simultaneamente duas perspectivas ligeiramente deslocadas — exatamente como os olhos humanos funcionam. O deslocamento horizontal entre a tomada esquerda e a direita é chamado de Distância Interaxial ou base dos olhos. Você determina essa distância conscientemente: muito perto, e o efeito 3D fica sem graça; muito longe, e o público sente dor de cabeça porque seu sistema visual fica sobrecarregado. Em close-ups, eu reduzo a base — 50 a 65 milímetros são o padrão. Em tomadas de paisagem ou cenas de ação, você pode ir até 75 milímetros.
As duas imagens serão alinhadas com precisão posteriormente na edição — isso é chamado de Convergência. Aqui reside uma fonte comum de erros: se o alinhamento vertical desviar mesmo que apenas dois ou três pixels, a imagem piscará para o espectador, ou os olhos não conseguirão fundir as imagens — ou seja, não se fundirão em uma impressão espacial. Portanto, na verificação das dailies, eu sempre procuro por erros de paralaxe. Softwares de edição profissionais têm ferramentas de alinhamento para isso; sem elas, o trabalho manual se torna árduo.
Um ponto prático: Orçamento de Profundidade (Depth Budget). Você não pode simplesmente colocar profundidade infinita na imagem. A percepção máxima de profundidade é de cerca de 2 a 3 por cento da largura da imagem — o olho humano não percebe mais que isso, ou se torna cansativo. Isso significa, concretamente: em uma tela de cinema com 20 metros de largura, sua profundidade máxima de cena não deve exceder 40–60 centímetros. Brincando, você pode trabalhar com Paralaxe Negativa — quando objetos saem da tela em direção ao espectador — mas isso também tem limites. Alguns centímetros são elegantes; um metro parece forçado e cansativo.
A iluminação deve ser consistente entre as duas câmeras, caso contrário, ocorrerá um flickering visual durante a fusão. Preste atenção à mesma colorimetria e brilho. Com efeitos especiais ou VFX — por exemplo, se você filmar com um green screen com câmeras estereoscópicas — o esforço na composição se duplica: cada camada precisa ser criada para ambas as perspectivas.