Som espacial gerado por dois ou mais canais separados — cria profundidade e imagem direcional. Padrão em cinema e TV, distinto do mix surround.
Pelo menos dois canais espacialmente separados — o mínimo para trazer direção e profundidade ao ouvido do espectador. No set e na edição, a estereofonia funciona com um princípio simples: esquerda e direita são diferentes, por isso o cérebro localiza a fonte sonora em algum lugar entre elas. Um diálogo que soa mais forte à esquerda do que à direita, mentalmente se desloca para a esquerda. Um carro que se move da esquerda para a direita precisa de uma mudança contínua no balanço entre os dois canais — não simplesmente um fade-out à esquerda e fade-in à direita, mas um crossfade que retrata o movimento físico.
No cinema, o estéreo é padrão há décadas — um mix de dois canais é o mínimo para qualquer filme exibido em salas. Na TV também. Por isso, todo mixer de som precisa ter o estéreo em mente já durante a pós-produção, mesmo que no set tenha sido gravado apenas em mono. Os locutores não se posicionam aleatoriamente no palco estéreo: um personagem principal muitas vezes fica mais próximo do centro, um personagem secundário pode ser posicionado mais para os lados. Essa gramática espacial ajuda o espectador a entender hierarquias inconscientemente.
Onde se torna crítico: a estereofonia exige um sistema onde ambos os canais corram em sincronia e sejam reproduzidos corretamente no estágio final — seja um processador de cinema ou um aparelho de televisão. Um mix estéreo sujo surge quando a fase entre esquerda e direita se inverte, quando as frequências são distribuídas de forma desigual, ou quando um canal é mais alto que o outro. Na sala de mixagem: sempre ouça em monitores de referência estéreo, não apenas na caixa central. Um som que soa perfeito em mono pode soar oco ou indefinido em estéreo — isso só se revela quando você realmente separa os dois canais.
Não confundir com formatos Surround ou 5.1/7.1: estes expandem o estéreo com canais traseiros e laterais. A estereofonia é a base — dois lados, um plano. Quem não entende estéreo, também falha em sistemas mais complexos. A capacidade de contar movimento, espaço e foco através de dois canais é uma habilidade artesanal que todo sound designer deve treinar desde cedo.