Padrão analógico de TV francês dos anos 1960 — 625 linhas, incompatível com PAL. Predominante no Leste Europeu, África e Ásia; obsoleto tecnicamente, mas relevante em arquivos.
Quem trabalhou na França ou na União Soviética nos anos 1960 não pôde evitar o SECAM — um padrão de televisão em cores que se manteve firmemente contra o PAL e o NTSC e que ainda hoje aparece em arquivos e na digitalização de acervos antigos. O SECAM (Séquentiel Couleur à Mémoire) utiliza 625 linhas como o PAL, mas opera com uma codificação de cores fundamentalmente diferente: em vez de transmitir ambas as informações de cor simultaneamente, o SECAM envia os componentes de cor um após o outro — primeiro vermelho-menos-luma, depois azul-menos-luma. O aparelho armazena a cor da linha anterior (daí "à Mémoire") e a combina com a luminância atual.
Na prática, isso significa para a digitalização: material SECAM não pode ser simplesmente decodificado como PAL. A transmissão sequencial de cores requer decodificadores especiais ou — no fluxo de trabalho moderno — calibração precisa do software de captura. Quem trabalha com material de arquivo antigo francês ou soviético inevitavelmente se depara com este padrão. O traiçoeiro: SECAM e PAL parecem suficientemente semelhantes para que iniciantes os confundam, mas são incompatíveis o suficiente para que uma reprodução incorreta resulte em deslocamento de cor ou cintilação. Na edição, isso não importa mais hoje em dia — tudo é convertido para digital — mas na restauração é preciso saber o que se tem em mãos.
Historicamente, o SECAM foi uma declaração política: a França queria ser independente das licenças alemãs do PAL, a União Soviética precisava de seu próprio padrão. O resultado foi uma solução técnica que funcionou, mas foi menos robusta que o PAL em caso de erros de transmissão. Ruído de cor e degradação ocorriam mais rapidamente — um motivo pelo qual gravações SECAM muitas vezes envelhecem pior do que material PAL. Hoje, o SECAM é relevante para arquivamento: quem digitaliza produções de TV francesas ou soviéticas dos anos 1970 e 80 precisa ter equipamentos que reconheçam e convertam corretamente o SECAM.
No fluxo de trabalho moderno: o SECAM está morto, mas não esquecido. DVDs e streaming não existem em SECAM — tudo funciona via digital. Mas na transferência de fita — seja videoteipe, Betacam ou U-Matic — o técnico precisa de uma placa de captura que possa decodificar SECAM, ou um software que interprete material PAL posteriormente como SECAM corretamente. Um erro aqui significa cores distorcidas em todo o projeto.