Invenção de Edison em 1877: estilete lê sulcos no disco amplificados por corneta — tentativa pioneira de sincronizar áudio separado com a projeção cinematográfica.
A invenção de Edison de 1877 revolucionou a gravação de som, mas forçou todos os cineastas até bem depois dos anos 1920 a um pesadelo prático: som e imagem corriam em sistemas totalmente separados. O fonógrafo reproduzia um cilindro de cera ou, mais tarde, um disco de vinil através de uma agulha de aço, cujas vibrações eram amplificadas por um cone acústico mecânico — uma solução puramente acústica sem eletrônica, sem amplificação, sem controle. No cinema, isso significava que uma ópera, uma peça musical ou fala era gravada ao vivo no set com um microfone (mais tarde) ou diretamente no cilindro de cera, enquanto a câmera capturava a imagem paralelamente. A sincronização era uma arte de improvisação.
Na prática, funcionava assim: marcações semelhantes a metrônomos ajudavam a manter o fonógrafo e a câmera aproximadamente em sincronia. Um assistente iniciava ambos os aparelhos sob comando, e ai de quem a agulha deslizasse ou a imagem engasgasse — toda a tomada estava perdida. O resultado era medíocre. O som arranhava, o volume mal podia ser regulado e, mesmo com sincronização perfeita durante a filmagem, ocorria um desvio na reprodução porque os suportes mecânicos não corriam de forma constante. Teatros e shows de variedades conseguiam lidar com isso (onde a banda tocava ao vivo com a projeção), mas o cinema com exibições repetíveis e confiáveis? Impossível.
O sistema de fonógrafo teria sido um beco sem saída — não fosse pela válvula Audion de Lee De Forest e, mais tarde, pela sincronização eletromecânica. A eletrônica permitiu o verdadeiro som de cinema. Mas a era do fonógrafo foi instrutiva: mostrou que som e imagem precisavam ser acoplados mecanicamente e que o método de agulha em cera era inadequado para produção em massa. Quem hoje trabalha com som de filme analógico ou sincroniza reconstruções de filmes mudos antigos com material de som original ainda se depara com esses artefatos — aquele chiado característico e o timbre metálico que ainda tornam o fonógrafo inconfundível hoje. É menos uma tecnologia do que uma testemunha do tempo.