Técnica de corte em filme úmido dos anos 1950, com revelação e edição em banho de água. Obsoleta — relevante apenas para restauração de arquivos.
O Processo Philips-Miller foi uma técnica de corte a úmido desenvolvida na década de 1950, na qual o material cinematográfico precisava permanecer em um banho de água durante todo o processamento. Diferente do corte a seco convencional — onde o filme ficava sobre a mesa de corte — aqui o filme de acetato de celulose ou nitrato de celulose era mantido constantemente úmido. A água deveria tornar o material flexível e, ao mesmo tempo, evitar cargas estáticas que, no corte clássico, levavam a arranhões e danos.
A aplicação prática era trabalhosa: o montador precisava de locais de trabalho especiais, resistentes à água, com recipientes, pinças e facas projetadas para material úmido. O revelação do negativo também ocorria em banho de água — uma solução química controlada, não apenas água da torneira. A grande vantagem residia na reduzida suscetibilidade a arranhões, o que parecia atraente para negativos originais valiosos. No entanto, a manutenção constante da umidade trazia novos problemas: inchaço do filme, velocidade de corte reduzida e um risco aumentado de deterioração por ataque de fungos ou mofo em caso de armazenamento inadequado posterior.
Na prática, o processo nunca se consolidou. Já na década de 1960, técnicas modernas de corte a seco e, posteriormente, cortes de pré-visualização digital dominaram a pós-produção. Hoje, o Processo Philips-Miller é relevante exclusivamente na restauração de arquivos — quando há material histórico dessa era com negativos originais que foram processados sob essas condições. Restauradores precisam entender quais processos químicos e físicos o material passou para planejar adequadamente as medidas de recuperação.
Para a produção cinematográfica atual, o processo está obsoleto. Quem hoje trabalha com rolos de filme históricos e encontra métodos de montagem originais, consulta mais especialistas em conservação do que montadores. A técnica pertence ao museu — interessante como um capítulo na história da tecnologia do cinema, mas praticamente não mais aplicável.