Técnica de sensor ou filme que divide quadros em meios-campos entrelaçados — maior taxa de quadros aparente sem custo de largura de banda. Padrão legado de TV, raramente usado hoje.
A televisão do pós-guerra tinha um problema real: a taxa de atualização da imagem precisava ser alta o suficiente para evitar cintilação — mas a largura de banda disponível era brutalmente escassa. A solução chamava-se entrelaçamento (interlacing): cada quadro completo era dividido em dois campos (fields) com defasagem temporal. O primeiro campo exibia as linhas pares, o segundo as ímpares. Para o olho humano, esses 50 ou 60 campos por segundo se fundiam opticamente em uma imagem sem cintilação — embora a resolução espacial real fosse significativamente menor do que a de um quadro completo real.
No set e na prática, o entrelaçamento foi por muito tempo o padrão em PAL (50i) e NTSC (60i). O sensor da câmera ou a câmera de cinema precisava capturar dois campos em rápida sucessão — o que, em movimentos rápidos, resultava em artefatos de "pente" típicos. Quem já operou uma câmera DV antiga com 50i conhece esse efeito: movimentos rápidos de câmera ou objetos criam bordas serrilhadas e duplas. Na edição, o deinterlacing era frequentemente um mal necessário — recalcular os campos para formar um quadro completo limpo, o que custava qualidade.
Hoje, o entrelaçamento está praticamente morto. Sensores modernos trabalham com quadros completos reais (progressive scan) — 24p, 25p, 50p, 60p — sem o desvio pelos campos. Padrões de streaming como H.264 e H.265 são otimizados para progressive. Mesmo em gravações de alta velocidade com Red ou Arri, trabalhamos com quadros completos, não com campos entrelaçados. O único lugar onde ainda se encontra o entrelaçamento é na arquivamento de materiais antigos de broadcast ou ao trabalhar com equipamentos legados — por exemplo, na restauração de gravações de arquivo. Nesses casos, é preciso fazer um deinterlacing limpo e converter para um formato moderno.
Quem ouve falar de Interlaced Recording hoje em dia, geralmente se refere a uma questão de arquivamento ou a um erro. Para produções atuais, tornou-se irrelevante — e isso é bom. A carga técnica diminuiu, a qualidade aumentou. Ponto final.