Projeção via projetores compatíveis com DCI em vez de película 35mm — padrão técnico atual. Define 95% das salas de cinema no mundo.
Desde meados da década de 2010, praticamente nada no cinema passa pelo projetor que tenha sido exposto em celuloide. A transição para a projeção digital — geralmente seguindo o padrão DCI-2K ou DCI-4K — mudou fundamentalmente a indústria cinematográfica, e quem filma hoje em dia precisa pensar nessa realidade desde o início: do sensor ao gerenciamento de cores, até a entrega final do DCP.
Para nós, como diretores de fotografia e coloristas, o Cinema Digital não é apenas uma tecnologia, mas uma cadeia de decisões. Enquanto o filme de 35mm trazia sua própria curva gama, granulação e características de cor, em produções digitais precisamos definir ativamente como será o visual — gama, espaço de cor (geralmente Rec. 709 ou DCI-P3), compressão. O sensor em si é neutro; nós criamos o caráter. Isso exige disciplina: quem não trabalha com precisão na edição e na correção de cor percebe imediatamente que as imagens digitais podem parecer frias ou genéricas rapidamente. Ao mesmo tempo, os fluxos de trabalho digitais oferecem um controle incomparável — vemos imediatamente no set se o sensor está capturando a iluminação corretamente e podemos fazer correções antes que o primeiro take seja finalizado.
O DCP (Digital Cinema Package) como formato de entrega final tornou-se o requisito padrão. É um formato volumoso, mas sem compressão ou com um codec muito conservador (geralmente JPEG 2000), o que significa que a profundidade de cor e o brilho que construímos arduamente na sala de colorimetria chegam de fato ao cinema — desde que a calibração do projetor esteja correta. Infelizmente, muitos cinemas não seguem isso, o que é frustrante, mas não é nosso problema no set.
O efeito prático: o Cinema Digital democratizou a produção de filmes e, ao mesmo tempo, a tornou tecnicamente mais complexa. Com câmeras Red, Alexa, Sony ou FX30, qualquer um hoje pode filmar em um nível tecnicamente de alta qualidade. Mas quem não entende sua gravação digital — ciência das cores, curvas gama, metadados — corre o risco de que a projeção no cinema não mostre nada do que parecia tão bom no monitor. Por isso: monitores calibrados, um pipeline de gerenciamento de cores consistente e um colorista que não apenas aperta botões — isso é o padrão hoje.