720×486 (NTSC) ou 720×576 (PAL) — formato de vídeo digital dos anos 90. Compressão sem perdas, padrão para broadcast e arquivamento. Raramente usado hoje, exceto em projetos legados.
Quem trabalhou em um ambiente de broadcast nos anos 1990 e início dos 2000 não podia fugir do D1. O formato se definia por sua resolução — 720×486 pixels no padrão NTSC (América do Norte, Japão) ou 720×576 pixels no padrão PAL (Europa, resto do mundo) — e ofereceu pela primeira vez um armazenamento digital sem perdas de material de vídeo. Diferente dos formatos concorrentes da época, Beta ou U-matic, o D1 trabalhava totalmente digital, o que eliminou perdas de geração na duplicação. Isso foi revolucionário para arquivos e produções que precisavam copiar várias vezes.
A força técnica residia na compressão intraframe — cada quadro individual era comprimido em si mesmo, não por diferenças com quadros adjacentes. Isso permitiu cortes rápidos na edição bruta, sem que a descompressão se tornasse um gargalo. Uma fita D1 típica armazenava cerca de 5 a 20 minutos de material, dependendo do tipo de fita e do modo de gravação. A necessidade de armazenamento era enorme — uma hora de material exigia cerca de 200 GB de espaço, inimaginavelmente caro na época. Por isso, o D1 permaneceu restrito às grandes emissoras e produções de ponta.
No set, os cinegrafistas percebiam a diferença em relação aos formatos analógicos imediatamente: sem tons de cor por cópias múltiplas, reprodução de cores precisa para color grading, gerenciamento digital de timecode sem erros. Na edição, os editores trabalhavam com proxies offline, pois renderizar o material D1 completo em tempo real era impossível nos sistemas da época. O fluxo de trabalho era claramente estruturado — ingest, geração de proxy, edição offline, conform com o original.
O D1 desapareceu com a digitalização de todo o fluxo de trabalho no início dos anos 2010. Padrões HD como 1080i e, posteriormente, DCI assumiram os papéis. Hoje, o D1 é encontrado principalmente em arquivos de produções mais antigas ou em documentários sobre a história do broadcast. Quem trabalha com material mais antigo se depara com fitas D1 que precisam ser digitalizadas — os players se tornaram raros, e as próprias fitas se degradam com o tempo. Para restauradores, o D1 é, no entanto, uma bênção: a natureza digital permite uma leitura e arquivamento precisos sem o desgaste do material de rolo analógico.