Estilo de filme B mexicano dos anos 1960–70 — produções baratas de ação, narrativas rasas, energia crua. Cinema cult nascido da restrição orçamentária, não da visão artística.
A indústria cinematográfica mexicana das décadas de 1960 e 70 produziu, sob extrema pressão orçamentária, sua própria vertente de filmes de ação que não se levavam muito a sério — porque não podiam fazer diferente. Essas produções Bandido surgiram em estúdios que precisavam trabalhar com uma fração do que Hollywood usava para um filme B. O resultado não foi falta de arte por intenção, mas sim energia crua e desajeitada pela pura necessidade material.
Característico do estilo: roteiros montados a partir de dois ou três padrões básicos — o fora da lei, a perseguição, o confronto final com tiroteio. Os diálogos frequentemente soam truncados, não porque os roteiristas fossem sem talento, mas porque se economizavam dias de filmagem e as cenas eram gravadas na primeira tomada. O ritmo da edição é errático, por vezes aleatoriamente enérgico. Diretores de fotografia como Raúl Martínez Solares trabalhavam com iluminação simples e luz natural — não por convicção estética, mas por falta de equipamento. Isso, no entanto, criou um grau de crueza documental que mais tarde se manifesta como autenticidade não intencional.
No set, isso significava: tomadas rápidas, poucas repetições, improvisação em dublês. Figurantes recebiam dinheiro mínimo, locações eram frequentemente espaços públicos usados sem permissão. A música — de compositores como Enrico Simonetti — baseava-se em melodias reconhecíveis para reduzir custos. Tudo era filmado para chegar o mais rápido possível aos cinemas, onde tais filmes saíam após duas semanas.
Interessante do ponto de vista histórico-cultural: esses filmes Bandido foram posteriormente redefinidos por cinéfilos e colecionadores de exploitation — não como cópias fracassadas de produções americanas de western, mas como artefatos autênticos e independentes de uma realidade de produção. A dublagem ruim, as edições selvagens, as escalações não profissionais de atores — tudo isso se tornou a marca registrada. Diretores como Gilberto Martínez Solares ou Alfredo B. Crevenna trabalharam nesse sistema de forma racional e pragmática. Eles entregavam histórias porque essa era a tarefa deles. Que isso se tornasse cult, eles não poderiam ter calculado.