Narração em off sobre as imagens — instância narradora externa que interpreta ou complementa a ação. Pode ser irônica, objetiva ou subjetiva conforme o tom.
Uma voz fala sobre imagens que não sincronizam com a abertura da boca de um personagem — essa é a base. No set, você percebe rapidamente: o comentário só funciona se você souber quando ele enriquece e quando ele sufoca. Texto demais sobre imagens que já falam por si só, e o público desliga. Pouco texto, e as cenas ficam vazias. O comentário é uma camada de interpretação que você só pode controlar de fato na edição — por isso, o editor e a direção trabalham em estreita colaboração aqui, muitas vezes com várias tomadas do locutor para ajustar o timing e a tonalidade.
Na prática, você distingue duas funções: o comentário objetivo fornece informação — documentários, cinejornais, até mesmo comerciais de TV utilizam isso. Um locutor profissional com uma voz calma e autoritária transmite credibilidade. O comentário subjetivo, por outro lado, é uma ferramenta narrativa — um personagem pensa em voz alta (como nos clássicos do film noir), ou um narrador interpreta a ação, às vezes de forma irônica, às vezes crítica. Isso torna suas imagens ambíguas. O que você vê é apoiado ou conscientemente contradito pela palavra falada. Essa tensão surge na edição.
Tecnicamente, no design de som, você precisa de camadas claras: o comentário fica em uma trilha própria, geralmente com equalização discreta — não muito presente, mas claramente audível. Você pode colocar música por baixo, mas então eu diminuo o volume da música automaticamente quando a voz fala. Erro de iniciante: tudo ao mesmo tempo em volume máximo — isso vira uma bagunça. Na mesa de som, a trilha do voice-over geralmente é automatizada para manter a consistência ao longo de toda a duração.
Preste atenção à psicologia da voz: um locutor conhecido traz autoridade, mas também pode ser uma distração. Um locutor desconhecido e autêntico — às vezes até um ator sem o timbre de locutor profissional — soa mais pessoal, mais próximo. Na edição, o comentário é frequentemente acoplado ritmicamente ao corte: cortes coincidem com pausas para respirar ou finais de frases. Isso lhe dá peso. Se você perceber que o texto e as imagens trabalham um contra o outro em vez de juntos, o comentário está muito dominante ou mal posicionado. Então, você o edita novamente, ou pergunta à direção se o texto está adequado.