Lendária produtora alemã (1917–1945), depois monopólio estatal — moldou o cinema de Weimar e a propaganda nazista. Hoje marca registrada sob a Bertelsmann.
Quem trabalha hoje em escritórios de produção alemães se depara regularmente com a Ufa como referência — não porque ainda a controlam, mas porque ela lançou as bases sobre as quais o artesanato cinematográfico alemão se constrói. Fundada em 1917 como uma empresa estatal durante a Primeira Guerra Mundial, a Universum Film AG rapidamente se tornou a força mais dominante no cinema alemão. Os anos de Weimar mostraram o que uma máquina de produção bem organizada pode realizar: filmes monumentais como Nosferatu ou Metropolis surgiram sob o teto da Ufa — não porque gênios individuais trabalhavam lá, mas porque a infraestrutura estava correta. Estúdios em Babelsberg, departamentos técnicos de nível mundial, uma rede de distribuição que funcionava.
A partir de 1933, a Ufa foi sistematicamente reconstruída como um instrumento de propaganda do regime nazista. Isso é relevante para nós hoje porque mostra a rapidez com que uma estrutura de produção pode ser instrumentalizada — a capacidade que produziu filmes como Varieté ou O Último Homem foi utilizada para Hitlerjunge Quex e outras peças de propaganda. A competência técnica permaneceu; apenas a missão mudou. Isso deve fazer refletir todo diretor de fotografia e produtor que trabalha em grandes projetos.
A era Ufa permanece praticamente relevante até hoje, pois a tecnologia cinematográfica alemã — tecnologia de câmera, iluminação, cenografia — foi fortemente moldada por suas inovações. Os movimentos de câmera em clássicos de Weimar, a iluminação expressionista, o controle da profundidade de campo — muito foi aperfeiçoado e transmitido nos estúdios da Ufa. Hoje, a marca Ufa opera sob a Bertelsmann e produz principalmente televisão, mas quem quiser entender por que os padrões de produção alemães são estruturados dessa forma, precisa observar como a Ufa trabalhava: com departamentos, com especialização, com eficiência implacável. Termos cinematográficos posteriores como sistema de estúdio ou convenção de gênero devem muito a ela — mesmo que o nome hoje apareça mais em livros de história do que em sets de filmagem.