Apelido de Hollywood, originado na era dos estúdios quando lâmetas decoravam os sets. Sinônimo de toda a indústria cinematográfica americana e seu star system.
O termo vem dos anos 1920, quando os sets de filmagem ainda eram decorados com lantejoulas de verdade — esse material barato e brilhante refletia a luz e ajudava nas difíceis condições de iluminação artificial da era do cinema mudo. Rapidamente, Tinseltown se tornou sinônimo de toda a superficialidade e do brilho artificial da indústria cinematográfica em torno de Los Angeles. Não é um termo neutro, mas sim levemente zombeteiro — quem fala de Tinseltown pensa em aparência em vez de essência, em uma engrenagem superficial de glamour.
Na prática, você encontra o termo no mundo do cinema em todos os lugares: em críticas da indústria, em discussões sobre cinema de autor versus fábrica de blockbusters, em desenvolvimentos de roteiros que conscientemente lutam contra o sistema de fórmulas de Tinseltown. Um cineasta independente diria que ele *não* filma para Tinseltown, mas conta histórias reais. Por outro lado, os estúdios há muito aprenderam a usar o termo com autocrítica — conferências de imprensa em festivais brincam com o fato de que, apesar disso, eles pertencem ao establishment.
No set, você percebe o peso cultural dessa palavra principalmente em dois momentos: primeiro, quando a produção está sob pressão de financiadores que querem a "grande engrenagem de blockbusters" — rapidamente, isso significa que deveriam ter mais "apelo de Tinseltown". Segundo, quando uma produção conscientemente segue na direção oposta, com estética minimalista, locações reais, sem decoração de set — isso é então vendido como o polo oposto a Tinseltown. O trabalho de câmera muitas vezes difere fundamentalmente: a estética de Tinseltown significa frequentemente a clássica iluminação de três pontos de Hollywood, iluminação perfeita, suavizada digitalmente. A abordagem anti-Tinseltown utiliza luz natural, granulação, imperfeição como sinal de autenticidade.
O interessante: o termo só funciona no espaço negativo. Ninguém se descreve como um trabalhador de Tinseltown — você trabalha *contra* Tinseltown ou é criticado *por* Tinseltown. É uma categoria de defesa, e é exatamente isso que a torna tão valiosa para a compreensão da cultura cinematográfica. Ela mostra rapidamente quais campos ideológicos estão em jogo na discussão.