Salas baratas em estações de trem, geralmente exibindo filmes B e programas de nicho. Termo histórico para o cinema comercial desprezado — contraponto ao cinema de autor.
Nas décadas de 1950 e 1960, surgiram em saguões de estações ferroviárias europeias — especialmente na Alemanha, França e Itália — salas de cinema improvisadas que se diferenciavam fundamentalmente do cinema cultural estabelecido. Esses locais exibiam o que a crítica desprezivelmente chamava de «cinema de estação ferroviária» (Bahnhofskino): westerns em série, produções baratas do Leste Europeu, material softcore e filmes de gênero que jamais teriam espaço nas salas de exibição regulares. A proximidade espacial com a estação era programática — espectadores fugazes, curtos períodos de permanência, rotatividade rápida. O cinema como função de sala de espera, não como instituição cultural.
O termo tornou-se um termo de batalha da crítica cinematográfica. Enquanto os Cahiers du cinéma e, mais tarde, a Nova Onda Alemã estabeleceram o cinema de autor como paradigma artístico, o cinema de estação ferroviária simbolizava tudo o que era rejeitado: mercadoria padronizada em massa, falta de ambição artística, um deserto estético. Um diretor cujo filme acabasse em um cinema de estação ferroviária era considerado um fracasso. A programação era completamente descurada — exibia-se o que era barato de adquirir. Tecnicamente, muitas vezes catastrófico: cópias gastas, projeção defeituosa, salas sem qualquer equipamento de climatização.
Paradoxalmente, a pesquisa cinematográfica descobriu mais tarde precisamente essas mercadorias populares como material de origem para a pesquisa de gênero. O que era considerado escória cultural tornou-se a base para estudos de western, análise de exploitation e pesquisa de cinema popular. Filmes de cinema de estação ferroviária mostram sem filtro o que o público realmente queria ver — sem pretensão artística, sem mediação curatorial. Isso os torna historicamente valiosos, mesmo que nenhum contemporâneo os visse assim.
Os locais físicos desapareceram com a televisão e, mais tarde, com o cinema multiplex. Mas o termo permaneceu como uma marca histórico-cultural — para o momento em que a crítica cinematográfica ainda acreditava poder distinguir entre cinema «verdadeiro» e «falso». Hoje, cinema de estação ferroviária é mais um termo nostálgico. A própria distinção tornou-se inválida.