Técnico que monta efeitos sonoros, foley e atmosferas ao corte finalizado, camada por camada, seguindo a lista de corte e as diretrizes da direção. Difere do sound designer por focar na execução técnica precisa, não na concepção criativa.
O editor de som fica na sala de edição e é o responsável por garantir que cada sequência de imagem tenha sua contraparte acústica — de forma sistemática, confiável e planejada. Ele trabalha com base em uma lista de edição criada pelo montador e nas diretrizes do sound designer ou da direção: quais sons pertencem a qual cena, quais camadas de ambientação, quais pontos de tempo precisos para efeitos. Sua tarefa não é interpretar criativamente essas diretrizes, mas sim implementá-las de forma tecnicamente limpa e reproduzível.
Na prática, isso significa: o editor de som importa a lista de edição para sua DAW (estação de trabalho de áudio digital), cria trilhas, organiza seu arquivo por categorias — Foleys, Ambientes, Sons de fundo, Efeitos — e começa a sincronizar o material. Um batimento de porta precisa estar exatamente no frame correto. Um som ambiente precisa rodar por 45 segundos de forma consistente, sem lacunas, sem estalos. Se o sound designer diz que o ruído da rua na cena 12 deve ser 3 dB mais baixo do que na cena 11, o editor de som registra isso. Ele documenta cada decisão, utiliza automação e marcadores para que qualquer outra pessoa — o Re-Recording Mixer depois, a pós-produção — entenda exatamente o que aconteceu ali.
A diferença para o sound designer é fundamental: o designer cria a partir da intuição, experimenta, encontra a identidade do soundscape. O editor fixa essa identidade na edição e a torna tecnicamente precisa. Ele pensa em gerenciamento de trilhas, em consistência de níveis, em precisão de sincronia. Frequentemente, o editor trabalha paralelamente à montagem de imagem — assim que um corte é definido, a trilha de som precisa segui-lo. Isso exige disciplina, atenção e um bom entendimento de timing de som.
Um bom editor de som é invisível. Seu trabalho só se torna aparente quando algo dá errado: uma lacuna no som ambiente, um efeito Foley que não está no lugar, uma fase de som ambiente que flutua. Por isso, ele trabalha em estreita colaboração com a edição de imagem — cada novo corte pode afetar o som. O mais importante é a preparação: arquivos bem organizados, convenções de nomenclatura claras, documentação confiável. Isso economiza a busca por erros e torna a mixagem cinco vezes mais rápida depois.