Responsável por todas as normas de segurança no set — stunts, rigs, alturas e pirotecnia incluídos. O Safety para o filmagem, não o diretor.
No set, não é a direção que decide quando algo se torna perigoso — quem decide é o Oficial de Segurança (Safety Officer). Essa posição não é uma função administrativa de "faz-tudo", mas sim uma instância técnica e legal com poder absoluto de interrupção. O Oficial de Segurança fiscaliza todos os aspectos que possam ferir pessoas: dublês, pirotecnia, filmagens em altura, instalações elétricas, movimentação de veículos, rigging, até mesmo a estabilidade de partes do cenário. Quando o Oficial de Segurança diz "pare", tudo para — independentemente do custo da cena ou da pressão do produtor.
Na prática, isso significa: o Oficial de Segurança trabalha em estreita colaboração com o Gaffer (segurança elétrica), com o Coordenador de Dublês (coreografia de movimentos perigosos), com o Diretor de Arte (segurança de estruturas). Ele inspeciona o set pela manhã, antes mesmo da chegada da primeira pessoa da equipe. Em dublês de alto risco — quedas de fogo, explosões, alturas acima de três metros — o Oficial de Segurança solicita equipamentos de segurança adicionais e muitas vezes filma a ação ele mesmo, para poder reconstruir os acontecimentos em caso de acidente. Isso não é paternalismo, é proteção legal: para o elenco, para a equipe, para a produção.
O que muitos subestimam: o Oficial de Segurança também elabora análises de risco. O cálculo funciona assim — cena complexa planejada, o Oficial de Segurança cria um documento que registra: Qual o risco existente? Como ele será minimizado? Quais equipamentos/seguros são necessários? O documento protege todos os envolvidos. Seguradoras de responsabilidade civil só aceitam indenizações se houver uma documentação de segurança adequada. Sem ela, em caso de sinistro, a produtora paga do próprio bolso.
No set, o trabalho varia de acordo com o tamanho da produção. Em grandes produções, a Segurança é uma função em tempo integral ou até mesmo um departamento. Em filmagens de TV menores, o produtor executivo pode assumir essa função, mas deve dedicar a mesma diligência. Como cinegrafista, você nunca precisa ver o Oficial de Segurança como um adversário — ele também o protege de reivindicações negligentes. Se algo der errado e você tiver que testemunhar depois, o conceito de segurança documentado por escrito é sua melhor prova de que você não agiu de forma negligente.