Filme de base em acetato de celulose, não inflamável — padrão da indústria desde os anos 1950. Substituiu o perigoso filme de nitrato da era do cinema mudo.
Após a Primeira Guerra Mundial, o arquivamento de filmes estava em ruínas — armazéns pegaram fogo, acervos inteiros desapareceram em chamas. O motivo: o celuloide, material base da era do cinema mudo, é altamente explosivo. Ele não só queimava facilmente, mas de forma incontrolável, e os gases liberados envenenavam os depósitos. Cinemas e arquivos perdiam milhões em investimentos diariamente. A indústria precisava urgentemente de um material que aumentasse a segurança — sem arruinar as qualidades ópticas.
O acetato de celulose foi a resposta. A partir dos anos 1950, e mais intensamente após os anos 1960, tornou-se o padrão industrial. O material não queima — ou só queima sob temperaturas extremamente altas e de forma muito mais controlada. Assim, desapareceu uma das maiores problemáticas de seguro e armazenamento da história do cinema. Para os cinegrafistas, isso significou menos: o manuseio prático do rolo de filme diferia pouco, visual e taticamente, do seu predecessor. As características de luz e contraste permaneceram comparáveis, a granulação similar. A diferença só era notada em condições extremas de armazenamento ou arquivamento.
Mas aqui residia o verdadeiro nó: o acetato de celulose tinha um preço — a chamada síndrome do éster acético. Sob condições úmidas e quentes, o material se decompunha lentamente, cheirava a vinagre, tornava-se quebradiço, descoloria. Arquivistas tiveram que repensar: não mais o calor e o fogo eram os inimigos, mas sim a umidade e o tempo. Paradoxal — a segurança foi comprada, mas a decomposição biológica tornou-se a nova ameaça.
Na produção cinematográfica prática, essa mudança foi sentida de forma menos dramática do que no trabalho de arquivo. As câmeras, as mesas de edição, os laboratórios — tudo podia continuar funcionando como antes. Mas para diretores de arquivo e restauradores, o filme de segurança tornou-se um enigma: como preservar algo que, embora não queime, se decompõe? Essa pergunta persiste até hoje. A digitalização tornou-se uma questão de sobrevivência para muitos desses acervos — não por causa do fogo, mas devido à degradação química.