Percentual mínimo obrigatório de produções nacionais na grade de programação — regulamentado na UE. Impacta diretamente o financiamento e as decisões de aprovação de projetos.
A cotagem obriga as emissoras a preencher uma porcentagem definida por lei de seu tempo de transmissão com produções próprias ou obras europeias. Na Alemanha, o Medienstaatsvertrag (anteriormente Rundfunkstaatsvertrag) regula essa obrigação — geralmente 50% de produções europeias, das quais pelo menos 10% são produções próprias em instituições de serviço público. Emissoras privadas têm regulamentações mais brandas, mas a cota também se aplica a elas. Isso soa burocrático, mas determina absolutamente um em cada três acordos e todo o planejamento de produção na televisão alemã.
Na prática, isso significa que uma emissora não planeja sua programação anual apenas com base no gosto criativo ou no sucesso de audiência. A cotagem define quantas horas de produção própria devem ir para a programação até o final do ano. Isso gera pressão direta sobre os chefes de produção e diretores de programação — eles não podem simplesmente comprar material de catálogo ou reduzir importações. Quem transmite 300 horas por ano e precisa cumprir uma cota de 10% de produção própria, necessita de 30 horas de produções próprias, não importa o quão caras ou arriscadas sejam. Isso leva a produções encomendadas que não visam primariamente uma alta audiência, mas sim garantir o cumprimento da cota.
Para os produtores, a cotagem é um modelo de negócios estável — as emissoras de televisão precisam comprar, não podem escolher não comprar. O outro lado: a cota leva a projetos medianos ou rotineiros que nunca teriam surgido sem a pressão da cota. Algumas emissoras preenchem lacunas de cota com produções baratas ou reprises de seus próprios arquivos. O regulamento europeu de áudio agrava isso — ele exige que as plataformas de streaming também cumpram cotas semelhantes no futuro. Isso transfere a pressão para Netflix, Amazon e companhia, o que gera volume de trabalho para produtores alemães e europeus, mas também leva a uma luta por orçamento e horários.
No set ou em uma apresentação, você percebe a cota indiretamente: alguns projetos existem apenas porque alguém na emissora precisa cumprir sua meta de cota. Isso não é nem romântico nem trágico — é o cotidiano da produção. Quem trabalha com emissoras negocia não apenas cachês e exibição, mas também qual cota o projeto cumpre. Um selo de produção própria de uma emissora muitas vezes não é ambição artística, mas sim estratégia de cota.