Artesão que constrói ou modifica adereços funcionais e decorativos — de vidros de ruptura a armas futuristas. Trabalha em conjunto com o chefe de adereços e o departamento de arte.
O aderecista senta-se na oficina e constrói o material de que a história precisa — não apenas decorativo, mas funcional. Enquanto a figurinista consegue um vaso antigo num aluguer de figurinos, o aderecista cria a versão que precisa de explodir na próxima tomada sem que ninguém se magoe. Essa é a diferença crucial: ele não trabalha com material de estoque, mas sim constrói, modifica, testa.
O trabalho começa com conversas — com o realizador, o director de arte, o diretor de fotografia. O que é que o adereço precisa de fazer? Com que frequência será danificado? Que materiais são visíveis para a câmara? Um copo partido pode ser de vidro real se se partir apenas uma vez e o corte acontecer. Mas se a cena precisar de cinco tomadas, você precisa de seis versões — vidro real para a primeira tomada, depois açúcar e resina para as tomadas múltiplas. O aderecista conhece esta conta de cor. Ele sabe que o sangue falso oxida após três horas e fica vermelho escuro, que armas de plástico parecem baratas na câmara, mas não devem partir-se durante o transporte, que uma chave de fendas que entra numa cena deve ser cega e segura, mas ainda assim parecer real em 4K.
O armário de ferramentas de um bom aderecista é um tesouro: impressoras 3D ao lado de ferramentas clássicas de madeira, moldes de silicone, resinas, chapas de metal, lixadeiras. Para uma série de ficção científica, você constrói dispositivos futuristas de plástico e eletrónica que brilham e fazem barulho — não através de CGI, mas sim in-camera. Para um drama histórico, você pesquisa como um objeto de 1847 se parecia e cria uma reprodução funcional. Isto não é artesanato no sentido clássico, mas sim engenharia pragmática com um toque estético. O seu adereço tem de aguentar em close-up, mas também parecer credível a vinte metros de distância numa tomada aberta.
A comunicação com o set e a edição é essencial. O aderecista precisa de saber se uma cena ainda está a ser filmada e se é necessária uma correção. Na edição, nota-se que a arma parece diferente do esperado — tom de cor, proporção, grau de realismo. O bom aderecista responde rapidamente, não apenas após o fim das filmagens.