Três fases: pré-produção (planejamento, casting, storyboards), produção (filmagem) e pós-produção (edição, som, VFX, correção de cor). Cada fase tem orçamento, equipe e prazo próprios.
Um filme é criado em três fases interdependentes, cada uma com requisitos estruturais e financeiros completamente diferentes. Quem trabalha no set precisa entender que cada fase tem sua própria lógica, sua própria equipe e seus próprios riscos — e que erros em uma fase se tornam caros na próxima.
Pré-produção — onde tudo é decidido
A pré-produção é a fase de planejamento, onde você não filma nada, mas decide tudo. Aqui nascem o roteiro, os storyboards, os mood boards, os scouts de locação. O departamento de casting trabalha em paralelo. O diretor de arte e sua equipe constroem os cenários, o diretor de fotografia — ou seja, você — define seu conceito de iluminação e câmera. Orçamentos são calculados, locações são reservadas, cadeias de suprimentos de equipamentos são estabelecidas. Uma boa pré-produção geralmente custa 15–25% do orçamento total, mas poupa as piores surpresas durante as filmagens. Quem economiza aqui, paga depois no set em dobro.
Produção — a filmagem em si
A produção é a filmagem propriamente dita — a fase em que seu planejamento de pré-produção é testado sob pressão real de tempo e em condições climáticas reais. Aqui se concentra o maior orçamento e a maior parte da equipe, pois diariamente crews, atores, locações e equipamentos geram custos. Como diretor de fotografia, você tenta implementar seu conceito de iluminação, enquanto o diretor reconfigura cenas, os atores improvisam e o clima não colabora. Essa fase dura tipicamente de 30 a 60 dias de filmagem para longas-metragens. Cada dia excedente custa dezenas de milhares. Por isso, shot lists e scheduling não são joguinhos administrativos — são a espinha dorsal da sua produção.
Pós-produção — onde o filme realmente ganha vida
A pós-produção começa assim que o primeiro rolo de filme é escaneado. Edição de imagem, color grading, sound design, renderização de VFX, composição musical — tudo isso geralmente ocorre em paralelo por meses. O editor trabalha no rough cut, enquanto sua suíte de color grading já cria as primeiras versões em DCP. Essa fase é menos incontrolável que a filmagem, mas aqui também você pode atingir limites orçamentários se os shots de VFX se tornarem muito complexos ou se forem necessárias novas filmagens. Um split orçamentário típico seria: pré-produção 15–20%, produção 60–70%, pós-produção 20–25%.
Todas as três fases se interligam. Uma tomada faltando durante a filmagem força caros reparos com VFX depois. Um mau planejamento de iluminação na pré-produção custa tempo de color grading. Portanto, você não precisa apenas de especialistas em cada fase — você também precisa de comunicação contínua entre eles.