Corte direto de um plano para o próximo sem transição — justaposição pura. Ferramenta essencial de ritmo; força o espectador a criar conexões visuais.
Duas tomadas se seguem imediatamente — sem fade, sem dissolve, sem transição óptica. O corte se impõe porque a informação da primeira tomada está completa e a segunda imediatamente conta algo novo ou avança a ação. Essa é a base de toda a montagem moderna. No set, você já percebe que esses cortes funcionam: você filma uma reação, corta diretamente para a próxima ação — e de repente seu ritmo ganha energia.
A força reside na imediatidade. Enquanto um dissolve sugere tempo ou cria uma conexão emocional, o corte seco diz: Agora. É por isso que filmes de ação vivem disso, mas também por que um corte de diálogo entre dois falantes funciona — você vê a primeira pessoa terminar de falar e imediatamente aparece a resposta. Sem distração, sem pausa. Nos anos 1920, Eisenstein e seus contemporâneos fizeram disso toda uma teoria: montagem como colisão de imagens que gera significado. Hoje, aplicamos isso inconscientemente — cada corte em um corte de diálogo, cada corte rítmico em uma perseguição é plano sobre plano.
Na prática, isso significa na ilha de edição: você precisa de um início e fim claros para cada tomada. Se a primeira tomada dura muito tempo ou a segunda começa muito cedo, o espectador percebe a arbitrariedade. A melhor aplicação é onde os cortes seguem o ritmo natural da cena — um movimento de mão, uma troca de olhares, um limite de palavra. Isso agudiza a percepção em vez de cansá-la. Pelo contrário: muitos cortes secos seguidos sem lógica espacial ou narrativa parecem apressados ou amadores.
Conceitos relacionados são corte de continuidade e montagem rítmica — mas em plano sobre plano, trata-se puramente da forma da transição: sem meios de transição, apenas a sequência bruta. Um termo clássico francês que mostra que a montagem em si é o meio, não os efeitos ao redor.