Filme P&B sensível ao azul e verde, cego para o vermelho — gera tons de pele exagerados e batom escuro. Majoritariamente histórico; raramente usado hoje.
Quem coloca material ortocromático na câmera está trabalhando com um filme preto e branco cru que enxerga azul e verde, mas é completamente cego para o vermelho. Isso soa como um resquício histórico — e é. Mas quem quer entender por que os filmes mudos antigos parecem tão bizarros precisa lidar com esse material. A sensibilidade não determina apenas o quão claro ou escuro uma imagem fica, mas também como as cores são convertidas em tons de cinza. E é exatamente aí que está o ponto crucial: a pele aparece superexposta, quase branca. Lábios vermelhos ou blush ficam pretos como carvão. Atores de olhos azuis ganham olhos extremamente claros, cabelos ruivos ficam com os cabelos mais escuros. No set, isso era uma verdadeira catástrofe para a caracterização.
Por que esse material era usado? Porque o ortocromático era barato e durava muito tempo. Principalmente popular entre as décadas de 1910 e o final da década de 1920 — paralelamente à introdução do pancromático, que enxergava o vermelho e fornecia tons de pele realistas. Quem precisava filmar de forma econômica, continuava com o orto. Isso levava a reviravoltas bizarras: maquiadores aplicavam camadas grossas para diferenciar os rostos. Contorno antes do Instagram — apenas com maquiagem teatral e a esperança de que a cegueira ao vermelho do filme tivesse pelo menos algum efeito.
Hoje? Praticamente morto. O Eastmancolor e os sensores digitais o substituíram. Mas ocasionalmente artistas ainda o utilizam — cinema experimental, arqueologia da imagem. Os contrastes exagerados, os tons de pele errados — isso não é mais um erro, mas sim estética. Quem quiser usá-lo seriamente (e isso é muito raro), precisa trabalhar com iluminação extrema e pensar os filtros de cor no set completamente diferente do que com material moderno. O filme pancromático já substituiu o ortocromático há muito tempo — mais sensibilidade à luz, reprodução de cores mais realista. Esse foi o próximo passo na tecnologia de cinema, e foi um grande passo.
Ainda relevante no trabalho de arquivo: quem digitaliza negativos antigos precisa saber com qual material foram filmados. A conversão exige caminhos diferentes através das separações de cores. Nerds de câmera ocasionalmente experimentam com ele, mas isso é tão especializado quanto câmeras de manivela. Para produção atual: irrelevante.