Roteiro escrito do zero para a tela — sem obra de origem, sem adaptação. Dá ao roteirista controle criativo total sobre estrutura e diálogos.
No set, você percebe rapidamente se está trabalhando com um roteiro original ou uma adaptação — a energia é diferente. Um roteiro original não surge de um romance, uma história real ou um material existente, mas cresce diretamente da fantasia do autor para o meio cinematográfico. Isso significa que o escritor pensa desde a primeira frase em imagens, cortes, no que a câmera mostra e no que ela omite. Nenhuma página de livro para "adaptar"; nenhuma obra literária que puristas defenderão.
Na prática, isso significa para a produção uma liberdade diferente — e uma responsabilidade diferente. O autor já concebeu as cenas no espaço cinematográfico. Os diálogos não foram destilados da prosa, mas surgiram diretamente como linguagem para o ouvido. Isso muitas vezes economiza tempo na edição, pois os ritmos já estão corretos. Ao mesmo tempo, você, como diretor ou diretor de fotografia, carrega todo o peso: não há uma obra literária à qual você possa recorrer se algo não funcionar. O roteiro original é o próprio material — não uma interpretação externa.
Os exemplos mais famosos mostram isso: Charlie Kaufman escreve roteiros originais tão peculiares e experimentais em forma que impõem exigências totalmente novas no set — Adaptação ou Quero Ser John Malkovich exigiram diretores que se atrevessem a ir para o experimento. Christopher Nolan trabalha quase exclusivamente com roteiros originais; A Origem ou Amnésia eram construções de pensamento que só existiam nesse roteiro antes da primeira câmera ligar. Isso significa que o espaço criativo entre a escrita e a filmagem é máximo — mas a comunicação entre o roteirista e a direção precisa ser absolutamente perfeita.
Em termos de orçamento e financiamento, o roteiro original é muitas vezes mais arriscado do que uma adaptação: não se pode referenciar o sucesso de um romance ou de um filme. Em contrapartida, você não está preso às expectativas da fonte. As escalações funcionam de forma diferente — você não procura alguém que "interprete" um personagem literário, mas alguém para quem o personagem foi escrito. Isso é sutil, mas muda tudo.