Som de fontes invisíveis no espaço da imagem, gravado com microfones separados fora do enquadramento, normalmente mixado em volume reduzido.
Detalhes Técnicos
A gravação geralmente é feita com microfones separados, fora do campo de visão da câmera, frequentemente usando microfones direcionais (Shure VP89, Sennheiser MKH416) a uma distância de 1 a 3 metros da fonte sonora. Na pós-produção, sons fora de quadro (Off-Screen) são frequentemente colocados em trilhas de áudio separadas (faixas 5-12 em sistemas padrão de 24 trilhas) e processados com 10-15% de volume reduzido e uma leve atenuação das altas frequências (a partir de 8 kHz) para sugerir distância espacial. Desde 2012, o Dolby Atmos permite o posicionamento preciso de fontes fora de quadro no espaço tridimensional com até 128 posições de objeto.
História e Desenvolvimento
Já em 1927, Alan Crosland utilizou o canto fora de quadro em "O Cantor de Jazz" como elemento narrativo. Fritz Lang aperfeiçoou a técnica em 1931 em "M" com a "Na Gruta do Rei da Montanha" de Edvard Grieg, proveniente de fontes não visíveis. A aplicação sistemática foi desenvolvida por Orson Welles em 1941 em "Cidadão Kane" com gravação multipista inovadora. A transição para a tecnologia multicanal (a partir de 1952 com o CinemaScope) permitiu a atribuição direcional precisa de fontes fora de quadro através dos canais surround.
Uso Prático no Cinema
Steven Spielberg utiliza em "Tubarão" (1975) 80% da presença do tubarão através de sons fora de quadro, sem a visualização do animal. Denis Villeneuve posiciona em "A Chegada" (2016) a comunicação alienígena propositalmente fora do quadro para intensificar a ameaça. Fluxos de trabalho padrão preveem a gravação durante as filmagens principais, com uma equipe de gravação de som separada (2-3 pessoas) que atua paralelamente à câmera. A sincronização é feita via timecode com uma precisão de ±1 frame a 24fps.
Comparação e Alternativas
O som fora de quadro difere fundamentalmente do voice-over (extra-diegético) e da música da trilha sonora pela sua localização espacial dentro da realidade da cena. Som acousmático descreve especificamente ruídos de origem desconhecida, enquanto som fora de quadro se refere a fontes identificáveis fora da imagem. Alternativas modernas incluem áudio 360° para produções de VR e mixagem de áudio baseada em objetos (Object-Based Audio), que permite o posicionamento dinâmico de fontes.