Organização católica ligada ao Vaticano que concede prêmios em festivais desde 1952 — exerceu censura eclesiástica informal, hoje tem papel mais simbólico.
A OCIC — Organização Católica Internacional para o Cinema e Audiovisual — foi por muito tempo uma força no negócio do cinema que não podia ser ignorada. Fundada em 1952 sob a influência direta do Vaticano, a organização rapidamente se estabeleceu como uma autoridade eclesiástica que avaliava filmes, concedia prêmios e, com isso, decidia sobre as chances de distribuição. Para produtores e diretores europeus, um prêmio OCIC em um grande festival — Cannes, Veneza, Berlim — não era um acessório decorativo, mas um fator econômico tangível. A organização credenciou júris nos mais importantes festivais de cinema e, com isso, pôde promover ou bloquear obras de forma direcionada.
Na prática, funcionava assim: delegados da OCIC sentavam-se em júris, concediam seus próprios prêmios e publicavam catálogos de avaliação que serviam de orientação para párocos, escolas e comitês de avaliação de filmes. Era poder brando com consequências reais — um filme com o selo OCIC encontrava mais facilmente seu caminho para os cinemas em países católicos como Áustria ou Polônia, enquanto um filme sem o selo enfrentava resistência. Ao mesmo tempo, a OCIC era conhecida por uma crítica cinematográfica moralmente rígida, que proibia severamente erotismo, blasfêmia e crítica social. O filme Hail Mary de Godard teria recebido um raio de banimento da OCIC em 1985 — e de fato recebeu.
Hoje, a OCIC tornou-se institucionalmente sem importância. A organização foi dissolvida em 2009, e suas funções passaram para a Organização Internacional de Críticos de Cinema. O motivo: a autoridade da Igreja sobre a cultura cinematográfica erodiu gradualmente após os anos 1970, o streaming e a distribuição digital tornaram os prêmios de festival irrelevantes como portões de acesso ao mercado, e a autoridade moral interpretativa que a OCIC reivindicava perdeu credibilidade. Um filme podia agora ir diretamente para o público — sem o selo da Igreja.
Historicamente, a OCIC permanece uma lição sobre como as instituições controlam os meios de produção cultural. Para pesquisa de arquivo e compreensão da história do cinema europeu entre 1952 e 2000, não há como evitá-la. Quem estudar os catálogos de Cannes ou Veneza dessa época, se deparará constantemente com prêmios da OCIC e deve saber: não era apenas mais uma premiação entre muitas.