Ampliação cinematográfica de detalhes minúsculos — insetos, gotas d'água, cristais — com foco extremo, profundidade de campo mínima. Exige tripé, luz controlada e paciência.
Quem precisa de ampliações extremas de objetos minúsculos no cinema — insetos se alimentando, gotas d'água caindo em uma superfície, estruturas cristalinas — rapidamente recorre a tomadas macro. Não se trata de closes normais. Estamos falando de escalas de ampliação de 1:1 para cima, onde um objeto de 5 milímetros tem o tamanho de uma borboleta no sensor. Isso exige ópticas especializadas — lentes macro (geralmente a partir de 100mm), anéis de extensão ou até mesmo lentes invertidas — e, acima de tudo: profundidade de campo extremamente rasa. Em ampliação de 1:1, a profundidade de campo é frequentemente inferior a um milímetro. Isso transforma o foco seletivo em uma forma de arte.
No set, a macrofotografia só funciona com planejamento extremo. O tripé não é opcional — os menores movimentos da câmera destroem o foco. Iluminação artificial é praticamente obrigatória: em zoom extremo em objetos minúsculos, muitas vezes são necessários f/8 a f/16 para obter foco. A luz natural não é suficiente. Painéis de LED, ring lights ou spots focados tornam-se uma necessidade. A distância entre a lente e o motivo diminui para centímetros — não há espaço para grandes luminárias. Quem trabalha com insetos ou líquidos em movimento precisa de paciência em quantidades exponenciais. Uma lesma que se move 2cm está subitamente fora de quadro no frame macro.
Na prática, é útil: sistemas de foco externos (unidades motorizadas de follow focus) para tomadas mais longas, pois a focagem manual é impossível de ser precisa nessas ampliações. O método de empilhamento de foco — compor várias tomadas com foco ligeiramente diferente na pós-produção — também é frequentemente necessário para obter tudo em foco, apesar da profundidade de campo rasa. Para material documental (documentário de natureza, conteúdo científico), a macrofotografia é indispensável. O cinema a utiliza com mais moderação, mas de forma direcionada — uma tomada extrema de um olho, uma cicatriz, sujeira sob as unhas cria intimidade e credibilidade.
O maior problema: tremores e vibrações. Um caminhão passando a 100 metros de distância pode tornar sua imagem macro inutilizável. Por isso, muitas vezes usa-se lastro sob o tripé e um piso de palco separado que não está conectado ao restante da produção. Quem subestima isso perde dias.