Gravação eletrônica de imagens do monitor diretamente em filme — padrão de arquivamento antes da fita de vídeo. Perda de qualidade inevitável, mas era a única forma de reutilizar transmissões ao vivo.
Antes da videotape, o kinescópio era o único meio de registrar uma transmissão de TV. Uma câmera especial era apontada para um monitor, filmava a imagem — e assim se obtinha um negativo físico que podia ser transmitido repetidamente. Simples, mas funcional. O método surgiu na década de 1940 e dominou a prática de arquivamento até a década de 1960. Quem precisava planejar reprises na época não podia prescindir do kinescópio.
O problema era óbvio: a qualidade da imagem era consideravelmente inferior ao sinal original ao vivo. Tremulação, efeitos moiré devido à grade do monitor, perda de contraste — tudo isso era visível. A razão reside na própria física. Os feixes de elétrons da TV escrevem a imagem no monitor de tubo, e a câmera de cinema filma esse ponto. Cada camada de conversão custa informação. Além disso: a sincronização entre a taxa de atualização do monitor e a taxa de quadros do filme precisava estar exata, caso contrário, surgiam padrões de linhas de varredura que atrapalhavam a reprodução. Na prática, eram necessárias câmeras de kinescópio especializadas com tempo de obturador precisamente regulado.
Apesar da perda de qualidade, o kinescópio era indispensável — especialmente para programas ao vivo, notícias e transmissões esportivas. Se um programa ia ao ar ao vivo e se desejava exibi-lo novamente mais tarde, o kinescópio era a única opção. Filmava-se em paralelo à transmissão. Grandes redes americanas como NBC e CBS operavam operações completas de kinescópio — equipes de câmera, laboratórios, gerenciamento de estoque. O esforço era considerável, mas o benefício também: repetição, distribuição geográfica para outras emissoras, oportunidades de intercâmbio internacional.
Com o advento da videotape — primeiro o formato de 2 polegadas no início dos anos 1960, depois formatos mais compactos — o kinescópio perdeu rapidamente importância. A videotape era mais direta, acessível mais rapidamente e fornecia qualidade significativamente melhor. No entanto: muitos kinescópios de arquivo sobreviveram até hoje de produções televisivas históricas, pois os originais em videotape há muito desapareceram. Isso é irônico — uma solução improvisada se tornou um valioso monumento da televisão primitiva. Em restaurações de gravações de TV mais antigas, os arquivistas ainda precisam trabalhar com material de kinescópio, digitalizá-lo e tentar recalcular os artefatos de imagem.