Viagem de imprensa organizada pelo estúdio para promoção do filme — jornalistas visitam set ou première para entrevistas, com agenda e mensagens rigidamente controladas.
Os estúdios organizam junkets como campanhas de campo — jornalistas são levados em ônibus para sets ou hotéis, depois passam horas em quartos de hotel, realizando entrevistas curtas e padronizadas com atores. Cinco minutos por repórter, três perguntas, a câmera ligada, e passa para o próximo. Isso não é cobertura de cinema, é Relações Públicas em linha de montagem, e todo mundo no set sabe disso. Os estúdios pagam pelo transporte, acomodação, às vezes até a comida — em troca, eles controlam completamente o que pode ser perguntado e por quanto tempo. Um assessor fica na sala, faz sinais quando o tempo acabou.
Na prática, funciona assim: um grande filme em produção — blockbuster de ação, adaptação de quadrinhos — significa inevitavelmente um junket no terceiro ou quarto mês de produção. O chefe de imprensa do estúdio decide: quem vem, quais veículos, quantos jornalistas por leva. Os participantes recebem um folheto, um press kit com fotos (que já foram liberadas na edição), material de fundo. Depois as entrevistas: filmagens de B-roll durante as conversas — duas, três câmeras no quarto, para que cada emissora tenha seu material. As respostas são frequentemente preparadas; os atores têm pontos de discussão, a equipe de Relações Públicas os revisou. Novas informações? Raramente. Perguntas reais sobre o ofício, a direção, problemas de filmagem? Não interessam a ninguém no junket.
O ponto é: junkets são para controle do estúdio, não para jornalismo. Eles geram rapidamente muito material, que depois vai para a internet — trechos de entrevistas, cortados automaticamente das conversas, utilizáveis no YouTube, TikTok, plataformas de streaming. Isso é Owned Media, não cobertura editorial. Declarações prontas em pedaços de 30 segundos, perfeitas para algoritmos. Quem quer fazer pesquisa mais profunda, precisa sair do sistema de junket — insistir em visitas ao set que não sejam curadas, ou fazer entrevistas longas com indivíduos. Mas isso custa controle e tempo aos estúdios, que eles não querem investir. O junket resolve esse problema elegantemente: todos os jornalistas recebem o mesmo material, ninguém pode ser exclusivo, todos estão saturados ao mesmo tempo. Pronto.