Complexo de estúdios em Berlim, era de Weimar — fundado em 1912, produziu filmes mudos e primeiros sonoros. Principal polo técnico do cinema alemão.
As Johannisthaler Filmanstalten — há muito tempo chamadas de Jofa no jargão profissional — representavam a espinha dorsal da produção de filmes mudos em Berlim. O estúdio em Johannisthal, fundado em 1912, não era apenas um galpão de produção. Era um laboratório de experimentação técnica onde cinegrafistas e diretores alemães desenvolveram sua assinatura, muito antes de Hollywood estabelecer sua dominância.
O que diferenciava a Jofa: eles possuíam estúdios com amplos tetos de vidro — indispensáveis para a cinematografia em preto e branco da era do cinema mudo. A luz natural do dia era a fonte de luz padrão, e quem sabia modulá-la através de gaze de seda e refletores tinha vantagens na composição da imagem. O equipamento técnico era de alta qualidade para os padrões da época: mesas giratórias precisas, montagens variáveis para tripés, laboratórios de revelação diretamente no local. Isso significava eficiência de fluxo de trabalho — expor o negativo, revelar, controlar imediatamente, corrigir.
Na década de 1920, a Jofa produziu trabalhos que ajudaram a moldar o vocabulário do Expressionismo Alemão — veja Linguagem Cinematográfica Expressionista. Diretores como Friedrich Wilhelm Murnau e Carl Theodor Dreyer usaram os estúdios para radicalizar as possibilidades da movimentação de câmera. A Jofa também foi um berço para inovações em iluminação. Instalações de iluminação elétrica, lâmpadas de arco de diferentes intensidades — o material que mais tarde se tornou padrão foi testado aqui.
Com a introdução do cinema sonoro no início dos anos 1930, a Jofa teve que se modernizar — isolamento acústico dos estúdios, novas travas de câmera para as câmeras de som menos flexíveis, cabines de gravação de som especializadas. O estúdio permaneceu competitivo, mas perdeu importância relativa à medida que outros locais de produção, como os estúdios Babelsberg, modernizaram-se mais rapidamente e construíram maior capacidade.
Hoje, a Jofa é história do cinema — não mais existente como um local de produção ativo. Mas quem analisa a estética dos filmes mudos alemães inevitavelmente se depara com o legado visual desses estúdios: o tratamento específico do contraste em preto e branco, os movimentos de câmera, o efeito de profundidade através da iluminação. Isso não é coincidência — é o ofício da Jofa.