Técnica de VFX in-camera via retroprojeção ao vivo durante a filmagem — precursora do green screen. Roddenberry usava em Star Trek para fundos fotorrealistas.
A técnica de Introvisão trabalha com uma tela de retroprojeção iluminada atrás dos atores — o material de fundo é projetado ao vivo, por trás, em uma superfície translúcida durante a gravação. A câmera filma através da tela. O resultado: atores e fundo são criados em uma única tomada, sem trabalho de composição separado. Sem croma key, sem matte paintings na edição, sem logística de camadas. Tudo acontece no set, em tempo real — esse é o ponto crucial.
Roddenberry fez da Introvisão a solução padrão para Star Trek (1966–1969). Pontes de naves espaciais, cenários de planetas alienígenas, cenas espaciais — projetados enquanto os atores falavam seus diálogos. A vantagem era clara: o movimento no fundo parecia vivo, a câmera podia dar um zoom mínimo ou fazer um pan, e o fluxo de produção se mantinha ágil. Não era preciso um departamento de matte painting elaborado ou efeitos de camadas no laboratório de cópia. Mas as desvantagens também eram pagas: a tela de retroprojeção precisava ser iluminada de forma extremamente intensa para ser visível, o que gerava "spill" (vazamento de luz) e bordas de luz ao redor dos personagens. A profundidade de campo era crítica — o foco precisava estar precisamente entre os atores e a tela. E os projetores disponíveis eram lentos; cortes rápidos ou movimentos de câmera dinâmicos podiam levar a artefatos.
Após os anos 1970, o método foi gradualmente desaparecendo. A composição digital e, posteriormente, o chroma key permitiram um controle mais preciso, melhores mattes, sem mais bordas de luz. Mas a Introvisão foi genial para sua época: deu a produções televisivas e filmes de baixo orçamento um caminho para criar ambientes visuais complexos sem sobrecarregar o departamento de efeitos visuais. Algumas documentações sobre ficção científica dos anos 1960-70 ainda relatam operadores de câmera que controlavam manualmente os projetores para sincronizá-los ao vivo com o movimento da câmera. Era coreografia de VFX na prática.
Hoje, a Introvisão é um capítulo de livro didático. Mas quem analisar alguns episódios antigos de Star Trek reconhecerá imediatamente a planicidade característica e a formação de auréolas de luz nos atores — não é ruim, apenas diferente. O método demonstra: antes da simulação digital, veio a solução óptico-mecânica em tempo real. E funcionou.