Transição em que uma linha ou forma varre o quadro revelando a próxima cena. Técnica clássica dos estúdios — hoje usada como efeito retrô ou estilístico.
O cortina funciona na montagem como uma cortina física de teatro — uma linha ou forma se move sobre a imagem, revelando a próxima cena por trás dela. Ao contrário do corte (cut) ou do dissolve (dissolve), o movimento permanece visível e se torna um elemento de design. A variante clássica: uma linha vertical vai da esquerda para a direita ou de cima para baixo na tela; a nova cena visível por trás. Tecnicamente realizado no NLE (Non-Linear Editing) através de uma transição padrão — Premiere, Final Cut, DaVinci já possuem isso em suas bibliotecas há muito tempo.
Historicamente, a cortina foi um recurso favorito do cinema clássico de Hollywood e das décadas de 1940/50 — especialmente em musicais e melodramas, para separar cenas espacial e temporalmente. Hoje, funciona principalmente como um sinal retrô ou uma citação deliberadamente lúdica. Não é mais usada por necessidade prática, mas para acionar uma estética específica: nostalgia, comédia, pastiche. A esfera de Wes Anderson a redescobriu — lá, a cortina se torna gramática visual, um elemento rítmico entre cenas. Ela também se mantém teimosamente em filmes infantis e familiares, porque parece lúdica e o público a espera.
No set em si, a cortina não existe — isso é pura pós-produção. Na montagem, no entanto, é preciso saber: a cortina só funciona se o timing estiver correto. Muito lenta, ela parece arrastada e datada imediatamente; muito rápida, perde sua força gráfica. Geralmente, o ideal fica entre 0,3–0,8 segundos de duração da transição. A direção também é importante — uma cortina da esquerda para a direita sugere progressão narrativa; de baixo para cima parece mais elegante e culta. Variantes: a cortina horizontal (cima/baixo), a cortina de íris (circular), a diagonal. Cada forma altera a leitura emocional.
Na prática moderna: usar com moderação. Uma cortina por filme pode ter caráter; três por sequência parecem antiquadas. Ela funciona melhor como um quebra de estilo consciente — quando a gramática de montagem restante é limpa e contemporânea, uma única cortina cria um destaque. Ou, de forma consistente, como uma marca registrada, se o projeto justificar. Com as curvas corretas na curva de movimento, até mesmo uma cortina padrão simples pode se tornar algo único — não acelerar linearmente, mas ajustar o easing. Essa é a diferença entre uma transição preguiçosa e um trabalho artesanal aprendido.