Periodização de Bazin/Kracauer: transição do cinema mudo ao sonoro (1927–1945). Abandona a montagem em favor de profundidade de campo, plano-sequência e realismo psicológico. Film Noir e Neorrealismo como exemplos.
Entre o final dos anos 20 e meados dos anos 40, as prioridades cinematográficas mudaram fundamentalmente — não porque a estética do cinema mudo se tornou subitamente obsoleta, mas porque o cinema sonoro abriu novas possibilidades de profundidade psicológica. A chamada segunda época marca menos uma ruptura do que uma reorientação: enquanto os primeiros teóricos da montagem (Eisenstein, Pudovkin) ainda acreditavam que o corte sozinho criava significado, agora se mostrava que uma câmera estática com profundidade espacial podia contar mais do que dez cortes frenéticos. Isso não é uma questão filosófica — é relevante em termos de ofício, porque muda toda a lógica de iluminação, a estratégia de blocking e o ritmo da edição.
No fluxo de trabalho prático no set, isso significa concretamente: a profundidade de campo se torna um meio narrativo. A ação não é mais posicionada apenas no plano da imagem, mas utiliza a espacialidade — um personagem desfocado em primeiro plano, outro focado em segundo plano, e através do deslocamento de foco, cria-se um fluxo de atenção sem cortes. A plano sequência — planos longos e ininterruptos — substitui a intensidade da montagem clássica por uma tensão dramatúrgica contínua. Quem trabalha aqui como diretor de fotografia precisa dominar a composição em profundidade: iluminação que distingue três planos, distâncias focais que densificam a atmosfera espacial sem distorcer.
As formas de expressão estética desta época mostram isso muito claramente. O western americano funciona de repente de outra forma — não mais como uma sequência de montagem dinâmica (como ainda nos primeiros filmes sensacionalistas), mas como um standoff psicológico. O Film Noir vive precisamente dessa estética: espaços profundos e contrastados, personagens que agem nas sombras, movimentos de câmera que permanecem escassos e são, portanto, ainda mais eficazes. O neorrealismo italiano, finalmente, radicaliza a ideia — rua em vez de estúdio, locações reais, iluminação mais natural — e mostra que a autenticidade psicológica não surge através de refinamento técnico, mas através da veracidade espacial.
O que este período significa para a prática hoje: quem reconstrói filmes históricos desta era ou adapta seu estilo, precisa entender que a obsessão pela profundidade de campo não é um mero jogo, mas a expressão de uma filosofia cinematográfica alterada. A luz precisa se tornar funcional, a câmera precisa ter paciência, e a montagem precisa se limitar para deixar o espaço respirar. Isso é tecnicamente mais exigente do que parece — e é exatamente por isso que é instrutivo.