Teoria soviética (Eisenstein, Kuleshov, Vertov) revivida nos anos 1970 — forma sobre conteúdo, montagem como linguagem essencial do cinema. Rejeita a narrativa literária.
Os teóricos soviéticos da montagem dos anos 1920 — Eisenstein, Kuleshov, Vertov — trabalharam com uma ideia radical: o cinema não é literatura com imagens em movimento, mas uma linguagem autônoma, cuja gramática reside na montagem. O corte cria significado, não o plano isoladamente. Essa ideia desapareceu após Stalin, mas foi redescoberta e sistematizada no Ocidente nos anos 1970 — não como uma reconstrução histórica, mas como uma ferramenta teórica para o pensamento contemporâneo sobre forma.
Neoformalismo I refere-se à recepção e codificação diretas dessas teorias por cineastas ocidentais (especialmente nos EUA e na França): estudaram-se as técnicas de montagem, analisaram-se sequências de corte, investigou-se como a frequência de quadros e o ritmo geram afeto — sem drama psicológico ou lógica narrativa. Neoformalismo II, então, designa a aplicação prática dessas descobertas na prática do cinema experimental e independente dos anos 1970/80. Cineastas como Hollis Frampton ou Straub/Huillet apostaram conscientemente em procedimentos de corte que *forçam o espectador à forma*, não ao acompanhamento da trama.
No set e na sala de edição, isso significa concretamente: a montagem é reconhecida como composição. Um corte longo e imotivado entre dois planos gera uma tensão que pode ser mais psicológica do que qualquer diálogo. A duração de um plano não é um problema dramatúrgico, mas uma decisão formal. O movimento relativo entre as imagens — veja o efeito Kuleshov — determina a recepção mais do que o conteúdo de cada tomada individual. Isso muda a forma de filmar: não se necessita de performances perfeitas ou de uma composição clara no próprio plano, mas sim de material que funcione *em relação*.
Na prática, a mentalidade neoformalista leva a uma economia radical: planos longos, cortes mínimos, repetição consciente, variação e contraste em vez de transições. O oposto das regras clássicas de corte. Quem hoje ainda quer entender por que alguns filmes parecem "lentos", embora cortados tecnicamente corretos — ou, inversamente, por que cortes rápidos parecem calmantes em vez de excitantes — pensa automaticamente de forma neoformalista: forma antes do efeito, estrutura antes do sentimento.