Queda massiva de público nos cinemas a partir dos anos 1950 — TV e depois streaming destruíram o modelo de negócio. Crise estrutural, não conjuntural.
A crise do cinema não descreve um fenômeno conjuntural transitório, mas uma revolução estrutural no comportamento do espectador, que desde os anos 1950 dissolveu o modelo de negócios tradicional do cinema. O que começou na época com a televisão — entretenimento na sala de estar, gratuito ou barato — levou a um êxodo em massa das salas de exibição. Não se tratava apenas de menos espectadores em fins de semana ruins; foi uma ruptura estrutural que nenhuma estratégia de blockbuster pôde curar completamente.
Para nós, da produção, isso significou concretamente: cineastas tiveram que se reinventar. Os grandes estúdios reagiram inicialmente com formatos espetaculares — VistaVision, Cinemascope, mais tarde 70mm — para mostrar o que a televisão não podia. Isso não era decoração, mas necessidade econômica. Ao mesmo tempo, a lógica industrial se deslocou: não mais um fluxo contínuo de público através de exibições constantes, mas cinema-evento com janelas de lançamento limitadas no tempo. Isso explica por que Hollywood apostou em franquias e blockbusters a partir dos anos 1980 — esses filmes precisavam arrecadar o máximo no lançamento, antes de fluírem para outras cadeias de exploração (cabo, vídeo, mais tarde streaming).
A segunda onda da crise do cinema atingiu a partir de 2010 com o streaming — Netflix, Amazon — com uma consequência ainda mais radical. Enquanto a televisão pelo menos ainda criava estrelas de cinema (os espectadores iam à estreia), hoje as pessoas assistem a blockbusters via streaming em casa desde o primeiro dia, sem distinção. Isso mudou a dramaturgia da produção: sequenciamento para telas pequenas, cortes mais rápidos, diálogos mais próximos. O ritmo de distribuição — antes sagrado — também foi dissolvido.
Para diretores de fotografia e diretores, o cinema continua relevante, mas como forma de arte, não mercado. Quem filma para o cinema, filma para a estética: grande formato, som alto, experienciável espacialmente. Essa é uma escolha consciente, não um modelo de negócios. A crise do cinema foi o melhor choque de realidade que o fazer cinematográfico já precisou — nos forçou a ser honestos sobre o que apenas o cinema pode fazer e onde outros formatos são melhores. Hoje, um bom projeto de filme para cinema é uma decisão inteligente não apesar, mas por causa dessa crise.