Revista francesa de cinema desde 1951 — base teórica da Nouvelle Vague e do cinema de autor. Consolidou o diretor como único criador artístico da obra.
Os Cahiers du cinéma agiram menos como uma revista e mais como um panfleto de combate — uma acusação mensal contra o cinema francês estabelecido e, ao mesmo tempo, o fundamento teórico para uma reavaliação radical de todos os valores cinematográficos. Fundada em 1951 por André Bazin, desenvolveu-se sob críticos como François Truffaut e Jean-Luc Godard em um centro de pensamento que não inventou o conceito de cinema de autor, mas o sistematizou e o transformou em arma. A tese central era brutalmente simples: o diretor não é um artesão de um roteiro, mas um artista que expressa sua visão pessoal através da forma, da montagem e da mise-en-scène — e isso também se aplica a diretores comerciais como Howard Hawks ou Alfred Hitchcock, que o establishment crítico parisiense havia ignorado.
No set e na sala de montagem, essa teoria inicialmente agiu de forma imperceptível — como um ruído de fundo filosófico. Mas mudou a forma como produtores, roteiristas e diretores de fotografia definiam seus papéis. Os críticos dos Cahiers tornaram-se eles mesmos diretores (Truffaut, Godard, Rivette, Rohmer) e filmaram não contra o sistema comercial, mas dentro dele — com orçamentos menores, câmera livre, jump cuts, entrevistas com atores na mise-en-scène. O manifesto não existia por escrito; era uma prática. Um operador de câmera que trabalhou com Godard entendeu imediatamente: a câmera é um caderno de notas, não uma janela. A montagem não é invisível — ela é autora.
Para a prática cinematográfica de hoje, o pensamento dos Cahiers significa: tratar cada decisão de montagem como uma assinatura autoral, não como um problema técnico a ser resolvido. Cada movimento de câmera tem peso. Um plano estático não é o caso padrão, mas uma escolha. Quem trabalha com o conceito de mise-en-scène — ou seja, transforma a composição no espaço e no tempo em forma narrativa — trabalha com base nos princípios dos Cahiers. A revista em si ainda existe; sua autoridade intelectual está fragmentada. Mas sua tese central — que a forma é conteúdo, que o diretor fala através de decisões técnicas — penetrou no DNA do cinema de autor. Mesmo onde ninguém mais lê os Cahiers.