Festival de cinema ou exposição de arte realizado a cada dois anos — Veneza e Berlim seguem esse ciclo. Vitrine para o cinema de autor e posições experimentais fora da distribuição mainstream.
A cada dois anos, a cena cinematográfica internacional se reúne novamente nos mesmos locais — Veneza, Berlim, Cannes trabalham nesse ritmo, e quem atua no cinema de arte como diretor de fotografia ou produtor conhece a cadência: Bienal significa que você pode se planejar. A Bienal de Veneza foi a primeira e continua sendo a mãe de todos os grandes formatos de festival bienais. Diferente de festivais que acontecem anualmente e atendem ao mercado de massa, a Bienal aposta na continuidade através do distanciamento — isso cria peso, cria conversas ao longo de dois anos, não de duas semanas.
Na prática, isso significa para o trabalho no set: uma Bienal é uma liga diferente de um festival anual. A pressão de seleção é maior, a concorrência é mais concentrada. Você se depara com filmes que estiveram em desenvolvimento por anos — projetos de longo prazo, não reações rápidas do mercado. Como diretor de fotografia, isso significa: se você trabalha em um filme que tem chances de ir para uma Bienal, você precisa trabalhar com uma paciência diferente. Nem todo corte, nem todo visual precisa funcionar imediatamente. A linguagem visual pode ser mais substancial, pode suportar ambiguidades. Veneza, por exemplo, busca especificamente experimentos artísticos com câmera e luz — isso não é lógica de produção mainstream.
O efeito na indústria é considerável. Uma indicação ou um prêmio em uma Bienal estabelecida como Veneza ou Berlim abre portas por anos. Distribuidores prestam atenção, streamers prestam atenção, outros festivais se orientam por isso. Isso também significa: muitas produções europeias e internacionais de cinema de arte se planejam desde o início para a próxima Bienal — não para Toronto ou Sundance. É uma lógica de torneio separada, organizada de festival para festival, mas não anualmente, e sim com o ritmo de dois anos.
Para o planejamento prático de festivais e eventos, vale dizer: Bienais também são plataformas para inovação técnica e exposição. Vídeo-arte, formatos experimentais, documentários — aqui se ousa mais do que em festivais comerciais anuais. O ritmo permite que posições artísticas amadureçam, em vez de serem rapidamente substituídas.