Codec surround 5.1 com compressão com perdas — padrão para DVD, cinema e streaming. Transparente o suficiente para entrega, inadequado para masterização e arquivamento.
Trabalhamos com AC3 diariamente — seja em masterização de DVD, em DCP de cinema ou em entrega para streaming. O codec comprime áudio multicanal com perdas para um terço do tamanho do arquivo descomprimido, mas faz concessões na profundidade de bits e na resolução de frequência. Na prática, isso funciona muito melhor do que a teoria sugere. Em 448 kbps ou 640 kbps — que são as taxas de masterização comuns no cinema — o ouvido humano mal percebe a diferença para PCM, desde que a mixagem tenha sido bem feita.
A configuração típica de AC3 é 5.1: três canais frontais (Left, Center, Right), dois canais surround (Ls, Rs) e o canal LFE para efeitos de subwoofer abaixo de 120 Hz. Em média, calibra-se em −27 dBFS para o canal central — este é o nível de referência para fala clara. Ao mixar, deve-se testar o AC3 no início do processo, não apenas na entrega final. Os artefatos de compressão se revelam rapidamente em sons de orquestra, em ambientes sonoros (atmo) ou em passagens muito silenciosas, onde o codec às vezes oscila minimamente. Um arquivo de referência AC3 decodificado previamente lhe dará feedback imediato se sua mixagem é robusta o suficiente.
Limites práticos: AC3 não deve ser usado para arquivamento ou para masterização de cinema em altíssima qualidade (norma DCI) — para isso, você precisa de TrueHD ou PCM. Mas para televisão, para home theater e para o mainstream do streaming, o AC3 tem sido a solução padrão comprovada há vinte anos. Vídeo HDR com som AC3 é totalmente normal; incompatibilidade de formato não é um problema aqui. Certifique-se de que as configurações do seu codificador estejam corretas: Dialnorm deve estar em −27 dBFS, para que variações de volume no receptor não levem a um ducking descontrolado. Muitas plataformas de streaming agora rejeitam AC3 e exigem AAC ou, ainda mais, Atmos — mas para replicação de DVD e para hardware legado, o AC3 permanece insubstituível.
Em comparação com DTS (o outro grande codec surround), o AC3 é ligeiramente mais comprimido e às vezes soa um pouco mais estéril; em contrapartida, a compatibilidade é maior. Não confunda AC3 com E-AC3 (Enhanced AC3) — esta é uma variante mais nova e eficiente, com melhor eficiência de taxa de bits, mas é decodificada de forma menos universal.