Dispositivo de projeção de Eadweard Muybridge (1879) que girava discos de vidro pintados com fases de movimento para criar ilusão de movimento. Precursor direto do cinema.
Muybridge construiu em 1879 algo que revolucionou a projeção de movimento — um disco de vidro giratório com fases pintadas, projetadas na parede sob luz de lâmpadas. O Zoopraxiscope não era um brinquedo. Era um instrumento científico que tornava sequências de movimento visíveis para o público, sem a necessidade de folhear fotografias individuais em pilhas. O disco girava, cada fase pintada passava pela lente em rápida sucessão — e a ilusão de ótica de movimento fluido e contínuo estava completa.
O ponto crucial: foi aqui que ocorreu a primeira projeção pública de sequências de imagens. Isso diferencia fundamentalmente o Zoopraxiscope do flip book ou do Praxinoscópio — que eram aparelhos manuais, privados, diretamente diante dos olhos. Muybridge, por outro lado, projetou movimento em uma tela, para dezenas de espectadores simultaneamente. Este é o código DNA do cinema, não um mero brinquedo óptico do século XVIII. Todos que mais tarde trabalharam com projeção de cinema — e com isso quero dizer Lumière, Edison, todos — estiveram sobre os ombros deste aparelho.
Na prática, o Zoopraxiscope também foi uma primeira lição em timing e taxa de quadros. A velocidade com que o disco girava determinava o quão fluído ou trêmulo o movimento parecia. Girar mais rápido = parecer mais fluido. Este é exatamente o princípio que mais tarde foi usado em 16, 18, 24 quadros por segundo. Muybridge experimentou a determinação desse limite — quantas fases, quão rápido, até que o olho perceba o movimento como contínuo? Essa questão é relevante até hoje quando falamos sobre fluidez de movimento ou câmera lenta.
O que é importante no set ou no arquivo: o Zoopraxiscope simboliza a transição da fotografia para o cinema. Não é cinema — as imagens eram pintadas, não fotografadas em celuloide. Mas mostrou que o movimento funciona como uma ilusão através de imagens sequenciais, exibidas rapidamente uma após a outra. Este foi o elo perdido. Sem essa demonstração, ninguém saberia se a ideia da imagem em movimento era sequer viável em grande escala.