Modo narrativo onde a voz do personagem ou narração domina absolutamente — voice-over, monólogo interior e introspecção sobrepõem a imagem. Técnica de Godard, problemática no cinema baseado em diálogos.
A voz ocupa todo o espaço — esse é o problema central quando, na edição, você percebe que o comentário em off, os monólogos internos ou o nível de pensamento de um personagem se tornam tão dominantes que a imagem se reduz a uma mera ilustração. Isso se chama vococentrismo, e é uma armadilha na qual o cinema autoral e as adaptações literárias, em particular, caem facilmente. A trilha sonora domina a narrativa visual, e não o contrário — e isso pode ser fatal quando você tenta fazer cinema e não uma peça de rádio com imagens.
Godard e a Nouvelle Vague provocaram isso deliberadamente — personagens que falam diretamente com o espectador, fluxos de pensamento que duram segundos enquanto a câmera permanece completamente estática. Na época, era um método, uma postura decididamente anti-cinema. Mas no drama, na narrativa psicológica, isso se torna perigoso. Você filma uma cena em que uma mulher olha para um espelho, e então uma voz em off recita três minutos de monólogo interno — isso funciona no máximo por 30 segundos, depois você perde o espectador. A atenção se volta para a voz, a imagem vira papel de parede. No filme de diálogo clássico, isso é absolutamente contraproducente: quando dois personagens estão conversando e um tem um fluxo de comentário interno permanente, isso destrói a tensão entre eles.
Na prática, isso significa concretamente — ou você trabalha visualmente com montagem, foco, movimento contra o texto em off, ou você reduz radicalmente o nível vocal. Uma voz pode funcionar se a imagem trabalhar em paralelo, sem se subordinar. O maior erro é usar a voz por falta de ideia visual. Você está na edição e percebe: "A cena precisa de profundidade, vou colocar uma narração em off". Isso é preguiça. Melhor: editar a cena, montar, trabalhar com música ou silêncio de forma que a voz — se necessária — se torne uma *camada*, não a camada principal. Relacionado a isso está o problema da supernarração e da questão de quanta subjetividade seu estilo narrativo suporta. Em um thriller psicológico, uma voz interna intensa pode funcionar se corresponder ritmicamente à edição, à música e ao movimento da câmera — não trabalhar contra eles.