Sistema de som em disco da Warner Bros. (1926), sincronizava fonógrafo e filme via impulsos elétricos. O Jazz Singer demonstrou o sistema, não o inventou.
A Warner Bros. introduziu nos cinemas em 1926 um processo que reproduzia disco de vinil e película de filme de forma sincronizada — acoplados por impulsos elétricos. Esse era o Vitaphone. Não foi a primeira ideia desse tipo, mas a primeira que funcionou economicamente e se consolidou. O disco girava em uma máquina separada, um mecanismo elétrico de sincronização mantinha filme e som acoplados. Teoricamente elegante, praticamente traiçoeiro: um deslize, um erro na engrenagem, e a sincronização se perdia.
Para o trabalho no set, o Vitaphone significou uma revolução — e um horror. Durante as filmagens, já era preciso trabalhar com sets fechados, design de som rigoroso e movimentos precisamente coreografados. O som não era sincronizado posteriormente; ele tinha que surgir ao vivo no momento da gravação ou ser reproduzido no disco. A orquestra ou os cantores tocavam durante a gravação da câmera, ou sua performance era gravada previamente e depois reproduzida como fundo — um sistema híbrido que exigia nova sincronização. Algumas cenas eram filmadas várias vezes para alcançar a correspondência perfeita.
O Cantor de Jazz (1927) não foi uma invenção do Vitaphone, mas sua prova comercial. A voz untuosa de Al Jolson sobre a música orquestral — o público queria ver isso. No entanto, a técnica continuou sujeita a falhas. Nos cinemas, os discos caíam, as agulhas saltavam, a sincronização se desviava. Mestres de estúdio sentavam-se ao lado das máquinas de projeção, esperando o desastre.
O Vitaphone desapareceu mais rápido do que surgiu — por volta de meados da década de 1920, suplantado pelo processo de som óptico, que gravava o som diretamente na película. Sem troca de discos, sem máquina externa, sem acidentes de sincronização. Para a história do cinema, o Vitaphone permanece um sistema de transição: não primitivo, mas incômodo. Para o cinegrafista da época, foi uma restrição — sem mobilidade, sem tomadas selvagens, tudo ritmado como em uma gravação de ópera. Isso deixou marcas na estética dos primeiros filmes sonoros: estáticos, organizados, altos.