Processo cinematográfico alemão de duas cores (anos 1930–40) — alternativa mais barata e simples ao Technicolor. Paleta quente e saturada típica das produções alemãs da época.
Na década de 1930, a UFA precisava de uma maneira econômica de filmar suas produções em cores — o Technicolor era caro, exigia câmeras especiais e contratos com operadores americanos da Technicolor. Assim, eles desenvolveram internamente um processo de duas cores: Ufacolor. O sistema trabalhava com duas camadas de cor em vez de três, como o Technicolor, o que simplificou o processo tanto na gravação quanto na cópia e reduziu significativamente os custos.
Tecnicamente, expunha-se em material negativo especial que capturava vermelho e verde — o azul era reconstruído computacionalmente a partir dessas duas informações. Isso funcionava bem o suficiente para muitos motivos, mas: tons de pele frequentemente pareciam quentes, às vezes muito alaranjados-amarelados, e tons de azul puro só saíam de forma aproximada. Quem tinha uma cópia Ufacolor em mãos naquela época reconhecia imediatamente esse visual quente e levemente saturado — característico de filmes de entretenimento alemães do final dos anos 1930 até o início dos anos 1940. Ainda hoje vemos isso em cópias restauradas: essa paleta de cores mais quente não era uma escolha artística, mas uma propriedade física do processo.
No set, você percebia rapidamente a diferença em relação às filmagens em preto e branco. O Ufacolor exigia mais luz — a emulsão era menos sensível — e a iluminação precisava ser mais consciente para não cair no tom alaranjado. Especialmente em rostos, era preciso ter tato. Cinematógrafos que trabalhavam com Ufacolor aprendiam a corrigir tons de pele através da escolha da iluminação e filtragem. O sistema também era menos flexível na pós-produção do que o posterior Eastmancolor — o que você não expunha corretamente, não podia simplesmente salvar no laboratório.
O Ufacolor desapareceu após a Segunda Guerra Mundial. O Technicolor dominou internacionalmente, e novos processos mais fáceis de manusear, como o Eastmancolor (1950), tornaram os sistemas de duas cores obsoletos. Hoje, o Ufacolor é uma marca visual distintiva do cinema alemão dessa era — quem vê um filme Ufacolor restaurado percebe imediatamente a coloração quente e característica que nenhum outro processo da época realmente replicava.