Primeira versão bruta e coerente do filme com todas as cenas em ordem cronológica, com cortes aproximados, antes da edição fina.
Detalhes Técnicos
Um rough cut é geralmente criado em uma resolução de 1920x1080p em ProRes 422 ou DNxHD 145 para economizar capacidade de processamento. A duração média de cada plano individual é de 8 a 15 segundos, em comparação com 2 a 4 segundos no corte final. A correção de cor limita-se às configurações básicas automáticas das LUTs da câmera, as trilhas de áudio correm sem compressão com um nível de referência de -18dB. Referências de timecode são mantidas com os arquivos originais, e placeholders (slugs) marcam planos ainda ausentes ou tomadas de efeitos visuais.
História e Desenvolvimento
O primeiro rough cut documentado surgiu em 1903 em "O Grande Roubo do Trem" de Edwin S. Porter, onde pela primeira vez se distinguiu sistematicamente entre material filmado e montado. Com a introdução da mesa de edição Moviola em 1924, o termo se padronizou nos estúdios de Hollywood. A Avid Technology revolucionou o processo de rough cut digital em 1989 com o Media Composer, reduzindo o tempo de edição de semanas para dias. Desde 2010, sistemas baseados em nuvem como o Frame.io permitem revisões colaborativas de rough cuts em tempo real.
Uso Prático no Cinema
"Dunkirk" (2017) de Christopher Nolan passou por quatro versões de rough cut com durações entre 170 e 240 minutos, antes de se chegar à versão final de 106 minutos. Fluxo de trabalho típico: assembly cut após 2-3 dias de filmagem, rough cut completo 10-14 dias após o fim das filmagens, visualização pelo diretor em até 48 horas. A Marvel Studios cria, por padrão, rough cuts separados para sequências de ação e cenas de diálogo, que são posteriormente unidas. O rough cut serve como base para as primeiras exibições de teste e para a determinação da duração da composição musical.
Comparação e Alternativas
O assembly cut, anterior ao rough cut, contém apenas takes ordenados cronologicamente sem decisões de edição. O director's cut segue como o próximo estágio, com seleção de planos mais precisa e os primeiros ajustes de ritmo. O fine cut e o final cut completam o processo de montagem. Ferramentas modernas de IA como o Sensei da Adobe criam rough cuts automatizados desde 2020 com base na análise do roteiro, mas atingem qualidade aceitável apenas em formatos padrão como sitcoms. Em produções de baixo orçamento, o rough cut muitas vezes substitui o director's cut por questões de tempo.