Cinema experimental dos anos 60/70 com distorções ópticas, sobreposição de cores e montagem fragmentada para simular estados alterados de consciência. Brakhage, Anger e Roeg definem a linguagem.
As técnicas visuais que surgiram nos anos 1960 para retratar estados alterados de consciência na tela exigiram uma reconfiguração radical das ferramentas cinematográficas. Não para contar uma história — mas para externalizar uma experiência interior. A sala de edição tornou-se a droga: sobreposições, saturação de cores, expansão temporal, multiplicação de camadas. A câmera trabalhou contra sua natureza documental, a montagem contra a sintaxe clássica. Stan Brakhage arranhou o próprio filme, Keith Anger compôs cores como um pintor, Donald Cammell e Nicolas Roeg fragmentaram a continuidade em pedaços psicológicos — não como falhas, mas como princípios de design.
No set, isso significava concretamente: arranjo experimental em vez de plano de filmagem. A câmera muitas vezes permanecia parada ou se movia repetitivamente, a iluminação era sobreposta com filtros coloridos, com projeções, com saturações intencionais. No impressor óptico — que era a bancada central — os efeitos eram criados por múltiplas exposições, máscaras e transições. Sem CGI, sem plugins: pura arquitetura óptica. Era preciso prever os resultados, pois o experimento só se tornava visível no corte final.
O filme psicodélico era menos um gênero do que um método para mostrar a própria percepção. A narrativa não linear não surgia da arbitrariedade, mas da lógica da consciência — saltos, loops, sobreposições como reflexo de processos neurais. Isso o diferenciava do cinema experimental puro, que podia permanecer abstrato. Aqui, o objetivo era sempre a simulação de um mundo interior. Relacionado a técnicas como a composição de montagem e a estética de found footage, mas com energia própria.
Para os praticantes, isso significa: os procedimentos psicodélicos só funcionam se a composição visual, a velocidade da edição e a paleta de cores formarem um equilíbrio — muito resulta em kitsch, muito pouco perde a força. As obras dos anos 1960 são até hoje objetos de estudo em aulas de edição, pois mostram como o ritmo e a distorção criam uma força sugestiva que efeitos puramente visuais não alcançam.